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COLUNA VERTICAL

Nepotismo e endogamia

02 | 04 | 2019   19.29H
José Luís Seixas
Os factos abundantemente noticiados nestas duas semanas demonstram que Governo e Administração foram capturados por uma rede intrincada de relações familiares, com parentescos próximos e, como tal, fortes dependências. Há quem designe a prática como “nepotismo”, apelando à raiz latina (“nepos”, neto, sobrinho ou parente) e acolhendo a definição corrente que traduz o favorecimento da parentela como critério de nomeação ou designação para cargos. Ultimamente, porém, o fenómeno tem sido qualificado como “endogamia”. O conceito parecia-me apelar à consanguinidade, isto é, à reprodução sexual por progenitores com ancestrais comuns. O que confirmei nas enciclopédias do costume. Pude, aliás, constatar os efeitos da endogamia nas diversas espécies animais, dos suínos aos bovinos, nas plantas e nos humanos. Quanto a estes fiquei a saber que uma página decisiva da história europeia constitui um caso clássico de endogamia. Trata-se da Casa de Habsburgo, a qual a adoptou como estratégia de domínio e de poder. Até que os efeitos se fizeram sentir, com doenças e disformidades várias, sendo o mais notório o “prognatismo mandibular” (ou “vasta queixada” em português de antanho), evidenciado pelos retratos do Imperador romano-germânico Leopoldo I ou do Rei de Espanha Carlos II. Assim, adoptando como bom o qualificativo de “endogamia” nas relações intersticiais do poder socialista, ficamos a saber que ela será fatal a prazo, circunstância antecedida de um generalizado “prognatismo mandibular”. Desta sorte, se quiserem aquilatar da sua sobrevida olhem-se os queixos dos titulares do poder. Quando aduncos e proeminentes o prognóstico do seu decesso será seguro e a sua iminência certa. Ou seja, nos queixos socialistas se lerá o futuro do País. O autor escreve segundo a antiga ortografia
© Destak
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