INSTANTES

“O difícil não é viver, é saber viver”

16 | 04 | 2019   12.46H
Luisa Castel-Branco

Ouvi esta frase há muitos, muitos anos e só com o tempo, com a escola da vida, essa que é insubstituível, é que compreendi o alcance destas palavras.

Existem pessoas que nascem com uma aptidão inata para procurarem o lado positivo em toda e qualquer situação.

Vi um documentário, com os resultados de um longo estudo de uma universidade inglesa, que explicava que tal se deva a uma causa genética.

Sinceramente, fiquei muito contente. E muito aliviada!

Isto porque conheço pessoas com uma vida madrasta, difícil em todos os sentidos e contudo, conseguem sempre ter um sorriso na cara e no coração.

E não falo de fingimento. Verdadeiramente transportam consigo uma luz, uma alegria interior que acaba por dourar a vida em todos os seus aspectos e lhes permitir olhar para o futuro com uma expectativa positiva.

E depois quando esse futuro chega e não se concretiza em nada do que sonharam, apontam novas datas que um dia hão de chegar e lá continuam com gargalhadas soltas e leves como uma pena.

Pena tenho eu de não ter nascido com o dito gene, que me faz mesmo muito falta.

Sou e sempre fui extremamente negativa. Profundamente triste. Perdida no mundo dos outros, nas conversas dos outros. Tenho esta sensação de não pertencer a lado nenhum e faço do silêncio uma capa que me protege cada dia mais de tudo e principalmente de mim mesma.

No meio deste meu marasmo, a única coisa que em mim foi sempre, mas sempre totalmente positiva até ao limite do absurdo, foram os meus filhos e o futuro de cada um.

Não sei como explicar até porque não foram tempos fáceis onde cheguei a acumular quatro empregos para os sustentar.

Mas estava totalmente segura que eles iriam lutar pelos seus sonhos e serem felizes e por isso os apoiei contra ventos e tempestades. E estava certa.

Mas o resto, o eu dentro de mim continuou sempre escuro. Com medo. Sem futuro.

Nunca pensei que viria a fazer televisão e a ser reconhecida por tanta gente.

E não finjo quando sorrio no ecrã, ou na rua quando me interpelam.

Sinto como minha obrigação transmitir às pessoas o tal lado bom, nem que seja porque muita gente que me fala tem vidas pior do que eu.

A mim só me falta o tal gene.

Podia ser pior.

© Destak

1 comentário

  • Gostei mto de ler o seu artigo. Também a mim me falta o dito gene. E não não é nada fácil a vida sem esse gene.
    jose | 29.04.2019 | 02.35Hdenunciar comentário
    Tem a certeza que pretende denunciar este comentário? sim não