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HORA BOLAS

Luz para Jeová

21 | 04 | 2019   22.25H
João Malheiro

Os benfiquistas, garbosamente, chama-lhe catedral. Esta, inaugurada em 2003, congrega almas, tantas almas fiéis, num devoto apelo ao mais popular credo desportivo nacional. Por lá, em piedoso benefício, já missionaram, entre outros, Simão Sabrosa, Nuno Gomes, Luizão ou, na atualidade, Jonas e Félix.

Nessa Luz, sempre com cenário vermelho-vivo, houve magníficas oratórias de golos, de exibições, de triunfos, de títulos. Os sermões de bola crente e apaixonada missionam, doutrinam mesmo, multidões de romeiros, piedosos e caritativos no amparo ao seu símbolo sagrado, inclementes evangelizantes do culto rubro.

Soube-se, há dias, que o excelso anfiteatro, numa decisão que constitui um autêntico sacrilégio, vai ser alugado para a realização do Encontro Mundial das Testemunhas de Jeová. A decisão constitui uma violação estatutária, por mais que as opiniões se dividam, e abre um tremendo precedente, nada consentâneo com o historial centenário da maior instituição desportiva lusitana.

Ao futebol o que é do futebol, à religião e à política o que é da religião e da política. O Benfica arrendar o Estádio da Luz para uma iniciativa das Testemunhas de Jeová é tão absurdo e desajustado como seria a Igreja Católica arrendar o santuário de Fátima para as comemorações daquele que pode vir a ser, esta temporada, o título de campeão nacional do clube.

O dinheiro não é mais importante do que os princípios e os valores. Jeová não poderia ver a Luz jogar ao ataque, mesmo que ressarcida financeiramente, nos propósitos dos seus acólitos. As escrituras vermelhas deveriam catequizar apenas bola e, quanto muito, atividades não fraturantes de cariz religioso ou político. O Benfica não se pode ajoelhar por uma receita espúria, o Benfica tem de se agigantar por uma confissão centúria.

© Destak
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