HORA BOLAS

No reino da chalaça

28 | 04 | 2019   23.12H
João Malheiro

Paulo Gonçalves, ex-FC Porto, ex-Boavista, foi pronunciado no famigerado processo E-Toupeira. O agora ex-diretor jurídico do Benfica ilibou, no seu depoimento, a SAD do clube, sustentando ter agido por conta própria, mesmo sabendo-se que na hierarquia vermelha ocupava o terceiro posto, logo depois de Vieira e de Soares Oliveira, esse mesmo que debitou a boda de casamento da filha ao Benfica, numa atitude sem paralelo, indigna de um dirigente para mais remunerado de forma faraónica.

De pronto, o rival FC Porto veio a terreiro. Como era possível? Vieira e seus pares ignoravam as atitudes e as informações obtidas de forma ilegítima por Paulo Gonçalves? Com o lastro de virgindade ofendida, os responsáveis portistas não pouparam a virilidade exibida pelo Benfica a demarcar-se das putativas ilicitudes do seu alto colaborador.

Ainda que a justeza lhe assistisse, o FC Porto borrou a tese, com aparato, pouco tempo depois. Nas declarações proferidas no âmbito do processo dos e-mails, Francisco J Marques seguiu as pisadas de Paulo Gonçalves. A SAD portista foi inocentada, de nada sabia, tudo foi engendrado pelo incendiário diretor de comunicação azul, tão-só com os préstimos de um colaborador, anónimo até à data. O facto de Marques ter sido designado dirigente do ano pelos altos comandos do FC Porto nada teve a ver com a rábula da correspondência ilegalmente subtraída ao Benfica? Nem um idiota acredita nessa versão.

Também de pronto, a Luz disparou vários mísseis sobre o Dragão. Com razão? Com toda a razão. Só que a similitude com o caso Paulo Gonçalves é gritante. Benfica e FC Porto interpretam uma luta empolgante pelo título nacional. Felicitem-se jogadores e treinadores. Já quanto a dirigentes ou gabinetes de comunicação o panorama é neurótico e intrujão.

© Destak