OPINIÃO

333 campos de futebol!

08 | 05 | 2019   22.46H
João Paulo Saraiva (Vice-Presidente da Câmara Municipal de Lisboa)

Desde 2009, a área verde de Lisboa aumentou cerca de 250 hectares (333 campos de futebol), resultado de uma estratégia responsável de sustentabilidade. Os sinais aí estão, crescendo todos os dias – uma das vertentes da revolução tranquila que muda a cidade. Bem visíveis nos parques, jardins, nas árvores de arruamento. Nos Vales da Montanha, de Chelas ou da Ameixoeira, na Cerca da Graça, no Corredor Verde em Campolide - apenas alguns espaços agora disponíveis numa malha a estender-se em todas as direções e que podemos, nesta época, fruir de forma mais próxima.

É uma verdadeira infraestrutura verde, desenhada de forma integrada e capaz de prestar serviços com valor social e até económico relevante. Porquê? Porque ajuda a combater ondas de calor e a regular termicamente áreas próximas (a temperatura desce 5ºC numa rua arborizada) com benefícios na saúde; deixa infiltrar chuvas, minorando efeitos de cheias; combate o ruído e, claro, melhora a qualidade do ar que respiramos.

Esta rede vital está também a desenvolver soluções de mobilidade pedonal e ciclável, traçando corredores verdes que unem lugares e pessoas, a disseminar hortas urbanas com potencial recreativo e alimentar. A cobertura vegetal tem incidido sobre espécies autóctones, adaptadas ao clima e que não aumentam o consumo de água para manutenção, tanto dos jardins como das zonas de sequeiro, alimentadas pela pluviosidade. Por outro lado, promove a biodiversidade, com benefícios para a fixação de carbono, azoto, e melhoria de solos.

Em cada época, são mais de 10 mil árvores e grandes arbustos que plantamos, muitas vezes em campanhas a que a população adere sempre. Sobreiros, azinheiras, oliveiras, freixos, olaias, estevas – e vamos continuar a ampliar a área verde aos 400 hectares até 2021. A pensar, para lá da Capital Verde Europeia no próximo ano, em todos nós e nos nossos filhos, num futuro melhor.