HORA BOLAS

Bola marada

12 | 05 | 2019   17.33H
João Malheiro

Em 24 horas apenas, a bola como que driblou (quase) tudo e (quase) todos. Vaticinava-se um Barcelona - Ajax na final da Champions e eis que aconteceram dois assombros, guindando o Liverpool e o Tottenham ao mais cobiçado cenário europeu. Foram jornadas epopeicas, homéricas, para os dois colectivos ingleses.

Caso curioso, só para que conste, o Tottenham (60/61) e o Liverpool (89/90) não são campeões nacionais há anos, muitos anos. Dito de outra forma, vamos ter, esta temporada, um vencedor europeu que o não é no bastião nativo. Afinal, consequências de uma Champions do cifrão e não do coração. Ou da razão. Ou mesmo da retidão.

Entretanto, intramuros, pseudoespecialista da causa redonda, como esse tal Miguel Sousa Tavares, apressou-se a escrever que Messi era um deus dos relvados e que jamais tinha visto atuar futebolista de tão elevado calibre. Azar, para somar a outros, de MST, o texto saiu no dia subsequente à copiosa derrota do Barcelona na cidade popularizada pelos Beatles, com uma mais que sofrível exibição do jogador argentino. Lamentável mesmo é que gente da política (?) se imiscua no futebol, ademais com insuportáveis ares sobrestantes. MST calado prestava um grande serviço ao cosmos da bola.

Já paradoxalmente, pouca ou nenhuma importância é conferida às grandes referências do futebol, quando se reportam a temas políticos. Alguém sabe o que disse Jürgen Klopp, fantástico e afamado treinador do Liverpool? “Sou de Esquerda; acredito num sistema de bem-estar; não tenho seguro privado e nunca votarei naqueles que prometem baixar os impostos dos ricos; se há algo que nunca farei na minha vida será votar na Direita”. Ou a frontalidade e a coragem de um rico, que ama e protege os pobres ou desfavorecidos, num mundo, que até é o dele, argentário e pecunioso.

© Destak