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COLUNA VERTICAL

Os pontos nos "is"

14 | 05 | 2019   19.49H
José Luís Seixas
A inquirição do Comendador Joe Berardo na Comissão Parlamentar sobre a CGD foi delirante. Ridicularizou os Deputados, desrespeitou o Parlamento, insultou a inteligência de todos os portugueses. Nada que espantasse. O Senhor José Berardo é e sempre foi assim. Um novo rico, espertalhote, que acha que tudo pode, que todos são venais e que é muito, mas muito, mais arguto do que qualquer ser terreno, principalmente deste País “de papalvos”. É, porém, um erro grave de perspectiva focalizarmo-nos unicamente neste seu inacreditável comportamento. A questão essencial está na forma e nas cumplicidades públicas como, consciente ou ignaramente, conformou a blindagem patrimonial do personagem. Ou seja, como o Estado aceitou receber no Centro Cultural de Belém os quadros acriticamente por si adquiridos, como constituiu com este homem a “Fundação de Arte Moderna e Contemporânea – Colecção Berardo”, com pagou uma dotação inicial, como contribui com um subsídio anual desde 2006, como assegura uma comparticipação financeira, como lhe garante guarida, seguros, cuidados e tratamentos à “sua” colecção no melhor espaço público português. Esta a grande, a magna questão. Aqui vão as pistas. A Fundação identificada foi constituída pelo DL 164/2006. Era Primeiro-Ministro José Sócrates. Ministro de Estado António Costa. Ministro da Economia Manuel Pinho. Ministra da Cultura Isabel Pires de Lima, substituída em 2008 por José António Pinto Ribeiro que, por mera curiosidade, exercia funções de Administrador da dita Fundação. Tudo evoluiu de tal forma que em 2013 o então Presidente do CCB, Vasco Graça Moura, considerava insustentável financeiramente a manutenção da sobredita colecção e os compromissos da alocação de um espaço corresponde a 30% da instituição. Ou seja, a responsabilidade última de um negócio ruinoso que o Estado acolhe, subsidia, suporta - guardando e cuidando aqueles quadros -, tendo sobre eles um modesto direito de opção exercível apenas em caso de não oposição do Comendador, assim potenciando a caricatura a que todos assistimos, chama-se XVII Governo. Por acaso socialista. Por acaso presidido por José Sócrates. Por acaso com António Costa como Ministro de Estado. Esta a raiz da sobranceria do Senhor Comendador. Mas tudo isto se omite ou branqueia. Possivelmente por falta de tempo. Neste caso da oposição… O autor escreve segundo a antiga ortografia.
© Destak
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