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HORA BOLAS

Assombro Benfica

20 | 05 | 2019   16.30H
João Malheiro

Foi em 1917, mas só 13 anos depois é que a Igreja Católica, institucionalmente, aceitou o chamado milagre de Fátima. Já anteontem, na Luz, nem 13 décimos de segundo foram necessários para a imensa falange benfiquista acreditar naquele que deve ser considerado dos maiores milagres da história secular do futebol aborígene. Um assombreamento que se vinha desenhando há algumas semanas, notadamente desde o irrefutável triunfo vermelho no Dragão.

Tudo começou mal no mando da águia. Início titubeante, talvez mesmo claudicante, prenúncio de uma temporada insuportável, quiçá tremebunda. Erros, muitos erros, tantos erros. Que avançados eram aqueles? Por que estava escondido Gabriel e Samaris na bancada? João Félix não jogava de caras na equipa principal, malgrado a sua juventude? Para piorar o cenário, o presidente Vieira viu, a dada altura, nesciamente, uma luz homicida, que só poderia conduzir ao resvaladoiro.

Mas eis que emergiu Bruno Lage, apresentado como solução interina, com cultura de vitória e amplo conhecimento de jogadores e da ilustração do jogo. Qual era o calendário? Extramuros, o Guimarães, o Sporting, o Moreirense, o FC Porto, o Braga, o Rio Ave. Triunfos, só triunfos, apenas um absurdo empate caseiro com o Belenenses, mais de uma centena de golos marcados, aresto firme de um coletivo preeminente e não menos atraente.

O principal objetor, campeão na pretérita tiragem, a equipa mais beneficiada ao longo da época, queixou-se, nos últimos tempos, de favores ao Benfica. O FC Porto teve sete pontos de avanço, rececionou a turma de Lage no Dragão, malbaratou um avanço mais do que confortante, foi mesmo incompetente, foi mesmo insciente. O título, esse, regressou à Luz, com alambiques de gozo e cliques de brioso. Com piques de cioso e chiques de guloso.

© Destak
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