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HORA BOLAS

Taça sem traça

27 | 05 | 2019   01.10H
João Malheiro

O Benfica foi o nosso campeão. Justo, adequado, requintado. Em janeiro, ninguém acreditava, nem o mais fanático apoiante do fundamento vermelho. Superou tudo e todos. Com classe, com pinta, com fascinação. Terá sido, provavelmente, o título mais sápido numa história quase secular.

Falhou a final da Taça de Portugal. Sem querer, abriu caminho ao Sporting, a esse mesmo Sporting que cibou, há um ano, o maior flagelo que a bola lusíada regista. Um Sporting, encarquilhado por múltiplas vicissitudes calamitosas, mas até intérprete de uma época notável. Venceu a Taça da Liga e, agora, a Taça de Portugal, para além de uma prestação interessante no Campeonato, sem empacho do terceiro lugar, um posicionamento benemérito para quem perdeu tantos jogadores e tanto nervo ou rasgo.

Já o FC Porto, último campeão, foi derrotado em toda a linha, em toda a medida. Pode sustentar, com justeza, uma boa várzea na Liga dos Campeões, mas não pode amparar a desastrosa campanha doméstica. Perdeu tudo, perdeu tanto, perdeu tento, perdeu argumentos, perdeu todas as razões a que se socorreu, a que se amparou, no desespero da desventura, do descomunal infortúnio.

A temporada de 2018/2019 consagra o Benfica e o Sporting. Mais ainda, abate a grimpa, o cocuruto insuportável do FC Porto. A sobranceria azul, esgrimida nos mais distintos tabuleiros, foi uma tanga, não passou de um folclore risível. No Dragão, ainda não se percebeu que o escrutínio da bola é de uma beluína exigência. Acabou o tempo, há tempo, bom tempo, do tempo de outro tempo, o tempo do tempo da viciação, da fraude, da galezia.

Até o Sporting venceu duas taças ao FC Porto. Parafraseando Jorge Jesus (futuro treinador do FCP?), foi limpinho, limpinho, limpinho. Portugal vestiu de vermelho e de verde. E fez sentido, todo o sentido.

© Destak
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