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OPINIÃO

Sobre a abstenção

28 | 05 | 2019   18.16H
Eduardo Vítor Rodrigues (Presidente da Câmara de V. N. Gaia)

A propósito das reflexões sobre a abstenção registada no passado domingo, importa lembrar que as eleições europeias têm uma particularidade significativa para não as confundirmos; têm um contexto específico, porque são normalmente o momento de voto de protesto, que depois, muitas vezes, não se consubstancia.

Se olharmos os números atentamente, verificamos até que o número de votantes aumentou. No território nacional, nas eleições europeias votaram este ano cerca de 3.300.415 dos 9.344.498 eleitores inscritos; em 2014 foram às urnas 3.278.481 dos 9.457.671 inscritos.

Não tomaria a abstenção como um problema tão profundo como está a ser propalado. É um assunto, de facto, grave, mas se significasse um abandono do projeto europeu por parte dos portugueses, então teríamos aqui razões de enorme preocupação. Se daqui a uma semana houvesse eleições autárquicas, ninguém tem dúvidas de que a abstenção desceria significativamente. Não assistimos a uma abstenção estrutural. Esta foi uma abstenção que resultou de algum comodismo, de alguma tranquilidade e de algum alheamento face ao projeto europeu, que é um assunto que tem de estar em cima da mesa.

Há perguntas que temos de fazer e as sondagens pós-eleitorais podem ajudar a responder. Quem foram os abstencionistas? Foram jovens? Se foram, é necessário perceber se o voto eletrónico foi assim tão relevante – e eu tenho a maior das dúvidas. Por outro lado, podemos estar a falar de um conjunto relevante de pessoas que, a partir do debate que se gerou em torno dos professores ou do Serviço Nacional de Saúde, não se reviram na política do PS ou de qualquer outro partido. Importa agora estudar a génese de uma taxa de abstenção que deve preocupar-nos e que colocou Portugal no top 4 dos maiores abstencionistas.

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