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HORA BOLAS

A nova ordem

03 | 06 | 2019   00.41H
João Malheiro

No futebol, tudo na mesma. É Benfica, é Sporting, é FC Porto. No escrutínio competitivo, a ordenação até pode variar, mas não sai do mesmo com muito raras exceções. Um pouquinho de Guimarães, um pouquinho de Braga, um pouquinho de Boavista, um pouquinho de Setúbal, um pouquinho de Académica, um muito pouquinho de todos os outros, todos mesmo.

E na política? É verdade que os partidos tradicionais continuam a ter um acentuado ascendente, de resto patente nas recentes eleições para o Parlamento Europeu. Só que a abstenção venceu por larga maioria. Laxismo dos eleitores? Certamente, tanto quanto reprovável. Mas também desilusão, desencanto com a política e os seus principais agentes, até a despeito dos quadrantes que representam os diferentes intérpretes.

Há razões? Claro que há, há imensuráveis, há lamentáveis, há deploráveis. Alarmantes e alvoroçantes. Políticos detidos, políticos inquiridos, políticos perquiridos. Políticos do chamado arco da governação. Exemplos? José Sócrates, Duarte Lima, Dias Loureiro, Armando Vara. E muitos, muitos outros. E muitos, muitos outros, que deveriam ser responsabilizados por incompetência gritante, por negligência chocante. Exemplos? Cavaco Silva, que exerceu as mais altas funções, em dois patamares, muitos anos a fio, e que dispensa mais nomeações, mais indigitações.

Entretanto, já menos na realidade lusíada, crescem exponencialmente fenómenos nacionalistas e populistas. Estamos num feroz e perigoso retrocesso civilizacional. Na Europa, no mais velho e carismático continente, os cidadãos estão baralhados, estão ababelados, estão desordenados. Na Europa e noutras latitudes. O socialismo não resolveu, o capitalismo também não. Não será que falta, não será que se impõe a emergência de uma terceira via? Com progresso, equidade e paz.

© Destak
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