OPINIÃO

Neste mundo ainda se crucificam crianças

11 | 06 | 2019   23.38H
Eduardo Vítor Rodrigues (Presidente da Câmara de V. N. Gaia)

Na Arábia Saudita, um jovem que tem hoje 18 anos foi preso aos 13 por ter participado num protesto em defesa dos direitos humanos quando tinha 10 anos de idade, e enfrenta agora a sentença de morte por crucificação. Parece um pesadelo ou uma cena de um filme de terror, mas esta é uma realidade, infelizmente, ainda comum em diversos pontos do mundo nos dias de hoje. Está tudo errado nesta notícia: a prisão de uma criança sem acesso a um julgamento justo por ter participado numa manifestação, que constitui um direito social inalienável; a pena desproporcional de morte; e a crueldade da pena de morte aplicada – por crucificação e posterior desmembramento do corpo. O impensável tornou-se realidade e não podemos, de forma alguma, ficar indiferentes a este tipo de situações.

“É deplorável que Murtaja Qureiris seja executado por crimes que incluem participar num protesto quando tinha apenas dez anos. As autoridades sauditas têm um historial assustador do uso da pena de morte como uma arma para esmagar críticas políticas e castigar manifestantes hostis ao Governo — incluindo crianças — da perseguida minoria xiita”, afirmou Lynn Maalouf, diretora de pesquisa no Médio Oriente da Aministia Internacional”, citada num artigo recentemente publicado no jornal Público.

Não podemos deixar de nos sentir impotentes perante este deplorável e constante atropelo das liberdades mais básicas e dos direitos humanos mais essenciais. Não dispomos de superpoderes que nos permitam impedir todas as injustiças deste mundo, mas ainda temos a nossa voz e a nossa capacidade de nos unirmos em defesa dos princípios e dos valores que mais prezamos.