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HORA BOLAS

A fortuna e o asco

16 | 06 | 2019   16.59H
João Malheiro

Esta é a crónica que gostava e não gostava de escrever. Gostava, melhor, gosto, por amor ao futebol, por amor a Portugal. Não gostava, melhor, não gosto, por desamor ao dirigismo desportivo, por desamor ao clima de terrorismo verbal e não só que se vive na bola indígena.

A Seleção Nacional venceu a Liga das Nações. Venceu e convenceu. Induziu e persuadiu. Houve muito Ronaldo ou não fosse uma inevitabilidade. Mas também houve muito Bernardo Silva, Rúben Dias, Rui Patrício, outros mais. Portugal, este pequeno Portugal, carrega a rodos aptidão, mérito, excelência no futebol. Temos jogadores no primeiro patamar internacional, temos treinadores (parabéns, meu amigo Fernando Santos) a irradiar, a propagar sabedoria por esse mundo afora.

E o futuro? E o destino próximo, depois de dois grandes sucessos no panorama europeu? Está assegurado, terminantemente certificado. As nossas maternidades futebolísticas estão a parir meninos jeitosos, engenhosos, talentosos. É o Seixal e o simbólico dístico Benfica, é o FC Porto e a recente vitória na Youth League UEFA, é o Sporting em reabilitação na Academia de Alcochete, é o Sporting de Braga ou o Vitória de Guimarães, com infraestruturas invejáveis, são outros clubes, apostados em aparar, em limar, em lustrar garotos com a ciência da redonda.

Paradoxalmente, os dirigentes, com parcas exceções, continuam abotoados a conceitos esturrados. Paradoxalmente, são os chamados porta-vozes abrolhados a pareceres chisnados. Paradoxalmente, são muitos adeptos, das mais diferentes sensibilidades, opilados a juízos inquinados. Paradoxalmente, é a Comunicação Social, quase sem limitações, a oferecer palco a desabrochados com modos aparvalhados.

Portugal e o seu futebol aliciam. Portugal e muitos dos seus cúmplices atrofiam.

© Destak
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