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COLUNA VERTICAL

Em homenagem a um querido amigo

18 | 06 | 2019   22.51H
José Luís Seixas
O médico anuncia o inesperado. Os exames, embora dependentes de outros mais específicos, pressagiam problemas, privações e sofrimento. Ele fica perplexo. Não esperava. Principalmente a incógnita sobre o futuro. Recebe inquieto a listagem de provas a que terá de se submeter. Dos diagnósticos possíveis admite o pior. Vê-se ferido. E preocupado. Recorda a imagem da sua mulher e dos seus filhos. E interroga-se o que deverá contar do que ouviu e das circunstâncias mais adequadas para o fazer. O Mundo parece abater-se. Questiona porquê ele (coisa comum nestas situações). Sai do hospital e olha o céu. De um azul ofuscante. Como é possível coabitar esta luz com o negro do seu espírito. Vai caminhando. Recorda a sua vida. As imagens afluem à sua memória como se de um filme se tratasse. Imagens de muita felicidade e alegria. Imagens da sua vida. Imagens dos seus pais e da sua família. Imagens dos seus amigos. Imagens do quanto viveu. Do quanto pode construir. Do que, mal ou bem, conquistou. E, num ápice, o negro de chumbo que lhe marcava a alma diluiu-se numa luz intensa de gratidão e de esperança. Gratidão pelo tanto que recebeu e esperança na vida que se faz em cada dia, no sol que nasce e ilumina, na felicidade dos beijos da mulher e dos filhos, do abraço dos amigos ou, até, daquele jantar específico ou daquele vinho que quase o ressuscita. Nós somos isto, conclui. Finitos. Mas gratos por poder desfrutar desse bem maior que é estarmos vivos e viver a vida! O autor escreve segundo a antiga ortografia.
© Destak
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