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HORA BOLAS

A Europa é miragem

23 | 06 | 2019   19.04H
João Malheiro

Quando a Taça dos Clubes Campeões Europeus deu lugar à Champions, cavaqueando com o Eusébio e o Toni, no final dos anos 90, recordo-me deles terem dito que jamais uma formação portuguesa garantiria o mais cobiçado troféu de clubes. Corroborei o parecer, até porque seria incapaz de objectar dois esfaimados da bola.

Enganaram-se e eu também. Em 2005, o FC Porto, sob o sublime comando de Mourinho, arrebatou o título, com estampidos consecutivos de sabença. Verdade que, conjunturalmente, a situação se afigurava favorável, competitivamente mais meiga, mais gentil. Alguns dos principais colossos do futebol europeu viviam um período horribilis, abdicantes estavam da coroação, casos de um Real Madrid, de um Barcelona, de uma Juventus, de um Bayern de Munique, entre outros temíveis e ameaçadores crónicos emblemas.

De então para cá, a situação agravou-se, o panorama é medonho e, ao que parece, pouco ou nada suscetível de reversão. Para já não falar de uma hipotética superliga europeia, sem participação de equipas nacionais, recrudesceu de forma brutal o fosso entre clubes ricos e os demais, entre clubes compradores e vendedores ou quase meros clientes.

José Mourinho não tem dúvidas em relação ao campeão nacional. “Se o Benfica perder dois, três ou quatro jogadores importantes, acredito que facilmente terá uma equipa para lutar pelo título nacional e, eventualmente, ganhar, mas não será suficiente para ter essa ambição a nível europeu”. Continua a falar-se de Bernardo, Cancelo, Sanches, muito mais agora de João Félix. Que diz Mourinho? “O Benfica tem por base uma formação fantástica, ano após ano tem dado jogadores de grande qualidade, mas se não houver tempo de maturação na primeira equipa…”.

Fala quem sabe. Outros falam e não sabem ou não querem mesmo saber.

© Destak
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