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COLUNA VERTICAL

Ventos de Espanha... e de Portugal

25 | 06 | 2019   20.14H
José Luís Seixas

Espanha é um grande País. Em extensão, em poder económico, em capacidade de influência externa. A leitura dos seus jornais (sim, em Espanha há jornais com orientações editoriais assumidas, às claras!) dá, porém, uma imagem preocupante de decomposição política e territorial. Os acordos múltiplos, estranhos, contranatura, que se registam para os governos das autonomias e dos municípios exibem o que de pior a política hoje comporta: a ausência de ideologia e de princípios em detrimento de uma insaciada avidez pelo poder. Sanchéz negoceia com qualquer um, independentemente da cor e, até, do respeito pela Constituição. Ciudadanos atravessa uma crise grave, com a demissão de vários dirigentes, apostados em dar a mão aos socialistas. Podemos cada vez pode menos e Iglesias mais peito faz. Os separatistas tornam-se fundamentais para uma solução governativa da Espanha da qual se pretendem independentizar. O Ministro dos Assuntos Exteriores da Generalitat foi ao México pedir desculpa, em nome de Espanha e da Catalunha, pelos actos da colonização. Arrogando-se a representar quem rejeita e o não mandatou. Enfim, a loucura parece à solta. O problema, conclui-se, será das lideranças. Fracas mas ambiciosas, impreparadas mas arrogantes, enclausuradas nos seus próprios interesses e pouco apetentes a entenderem sequer o interesse colectivo. Não é só em Portugal. Só que a Espanha tem uma economia que não depende do Estado e que o olha, aliás, com enorme desconfiança. Essa a sua sorte. Quanto ao resto, a notável conferência do General Ramalho Eanes na SEDES segunda-feira passada aplica-se que nem uma luva. Ao menos que haja vozes tribunícias, com a legitimidade histórica e pessoal que indiscutível se lhe reconhece, para “desconstruir” este discurso político feito de nada. Só de percepções imediatistas sem conteúdo, nem desígnio, nem futuro!

O autor escreve segundo a antiga ortografia.

© Destak
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