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COLUNA VERTICAL

Matérias perigosas

16 | 07 | 2019   22.46H
José Luís Seixas
O pré-aviso de greve do sindicato dos motoristas de matérias perigosas para o dia 12 de Agosto, com a séria ameaça de paralisação do País em período de férias e de maior afluência turística, é um acto subversivo e uma ameaça grave de perturbação da ordem e da estabilidade públicas. As consequências para os portugueses e para a economia nacional são incalculáveis. O princípio da adequação e da proporcionalidade constitucionalmente consagrado determinaria que o fundamento invocado fosse uma ofensa gravíssima aos direitos dos trabalhadores em causa, justificação plausível e perceptível pelos cidadãos contribuintes que acabarão por suportar esta loucura. Mas não. São questões remuneratórias que se projectam apenas em 2023 e que representam valores que ultrapassam substancialmente a média salarial. O sindicato em causa é um nascituro. Inorgânico. Criado e liderado por um advogado que não se confina ao exercício profissional e o extravasa confundindo-se conscientemente com os seus constituintes. O colectivo destes demonstra não ter qualquer prurido em ponderar os interesses em presença nem pejo algum em afundar o País numa crise grave para os empregadores e concidadãos, absolutamente desproporcionada relativamente aos interesses em causa. Abuso de direito? Evidente. Intervenção adequada do Estado? Claro. À semelhança, aliás, do que aconteceu em França, relativamente movimentos grevistas de similar natureza. A receita é simples. Há exemplos. Mas terá o Governo a coragem necessária para intervir em véspera de eleições? Não creio. O autor escreve segundo a antiga ortografia.
© Destak
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