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COLUNA VERTICAL

A nova James Bond

23 | 07 | 2019   22.40H
José Luís Seixas

Pelos vistos será uma mulher negra. O politicamente correcto ataca os mitos do cinema e, porventura, imporá uma releitura dos grandes romances de aventuras.

O 007 será uma 007. Sem o Dry Martini mas com um coktail de frutas tropicais em tons de rosa florescente. Desaparece assim o arquétipo descrito por Ian Fleming no Hotel Palácio e emergirá uma coisa estranha mas que satisfaz os novos próceres da moral pública. Eu, adicto de Bond, reverei pela enésima vez todos os Bond masculinos, mulherengos, aventureiros e beberrões. Foi assim que o conheci e o admiro. Estarei fora do tempo. E peço aos seus e ao bom senso dos media (como se pede o impossível) que não ressuscitem o Sherlock numa bela asiática, o Hercule Poirot numa belga adiposa e o D’Artagnan, o Porthos, o Athos e o Aramis em moçoilas francesas charmosas e inexcedíveis na arte do manejo da espada e de outros instrumentos cortantes.

Os autores que criaram estas personagens deverão dar várias voltas nos respectivos túmulos tão grande e pesada a infâmia que atinge os personagens e os romances que criaram. Mas o que é que interessa a criação quando esta contraria os ventos da nova gramática social? Afinal, a adulteração do perfil do personagem é insignificante para os senhores e senhoras destes novos tempos...! Apetece-me pedir desculpa por ser homem, branco, heterossexual, católico e casado. Pecados vários para os novos mandamentos impostos por grupos políticos iluminados que dominam o juízo público.

Autor escreve segundo a antiga ortografia

© Destak
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