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HORA BOLAS

Lage no País das Maravilhas

08 | 09 | 2019   18.44H
João Malheiro

A nova temporada já saiu do períbolo e a grande comitiva volta a suscitar arrebite nas massas. O campeão Benfica preludiou em grande estilo, esmagando um franzino Sporting, na primeira conquista da época, mesmo sem o talento genial de Félix, vendido por uma maquia titanesca, e de Jonas, principal fiança goleadora dos últimos anos.

A surpresa, para quase todos, aconteceu à terceira jornada. Na Luz, o FC Porto não confirmou a certidão de óbito, antes a certidão de (re)nascimento. Bateu, sem ignomínia, até com inegável perspicuidade, o sensacional Benfica dos últimos meses, afirmando sólida presença na luta pela reconquista do ceptro nacional. Valeu o subsequente triunfo vermelho (4-0) em Braga, numa altura em que, pela primeira vez, Bruno Lage ouviu críticas, improvações e até inacreditáveis desconchavos.

O jovem técnico do Benfica havia averbado tão-só a sua primeira derrota na Liga, depois de uma trajetória de glória, porventura irrepetível, que ficará para sempre nos anais da bola doméstica. A segunda volta do pretérito Campeonato, para mais naquele contexto, não tem paralelo no histórico já centenário do futebol nacional. E qual a causa? Definitivamente, Bruno Lage. A laje de Lage operou um assombro, tal era a permanente suspeita da vitória, o continuado pressentimento do triunfo.

O desaire, frente ao rival FC Porto, foi um intervalo, ainda que muito estridente, no estado de graça. Lage, depois da afirmação contundente em Braga, resgatou a graça, qual retoma da Alice no País das Maravilhas. O problema é que a Alice não jogava futebol e que as maravilhas não estão adquiridas no feiticeiro universo da redonda. Ainda assim, até com uma postura digna dos maiores encómios, Lage vai prosseguir a narrativa. Com maravilha? Seguramente, com estampilha.

© Destak
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