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COLUNA VERTICAL

Escola e família - querela revisitada

10 | 09 | 2019   15.55H
José Luís Seixas

A última edição do Expresso fez publicar um artigo de conhecido comentador intitulado “A Escola das Mães de Bragança”. Curioso, precipitei-me sobre o seu conteúdo ávido em perceber o significado de tal cabeçalho. Ultrapassadas as considerações gerais sobre os programas eleitorais que o autor se propôs penitentemente ler, e o fastio que – diz - os mesmos lhe provocaram, centra-se numa proposta do CDS relativamente à necessidade de na escola conviverem tantas “visões do mundo quantas as famílias que nelas têm os seus encarregados de educação”. A redacção apresentada não é, realmente, muito feliz e julgo-a até redutora. Mas percebe-se o sentido, o qual vai ao encontro do primado da família, do direito dos pais a orientarem a educação dos seus filhos e a veicularem os seus valores, os quais, obviamente, em idade de consciência assumirão ou não em plena liberdade. O respeito pela família enquanto reduto afectivo e repositório de valores comuns e identitários, pilar da sociedade como a concebemos há séculos, primeira berço, verdadeira escola e último reduto, é a tradução de um entendimento básico sobre a concepção do mundo em que cada homem “é um ser único e irrepetível”, transportando consigo o património moral e a herança genética que, conformam as suas “circunstâncias”. Curiosamente, o cronista vem fazer a apologia de uma escola que deslaça este pacto, que absorve o aluno, que orienta e comanda de acordo com programas que o Estado prepara para estar ao serviço do colectivo, numa lógica que aponta para a revisitação da escola bolchevique. Por isso a rejeição expressa que assume da escola como prolongamento da família, conceito que puerilmente pensávamos consensual. Uma coisa, porém, não entendi. O que tem o movimento de algumas mulheres simples, do povo mais genuíno, minhas conterrâneas, que no dealbar deste século protestaram publicamente contra a quantidade de casas de alterne e da prática da prostituição que lhes vitimava os casamentos e lhes consumia os magros orçamentos familiares, tem a ver com isto? As senhoras agiram em defesa própria e dos filhos o que uma certa esquerda urbana nunca percebeu, desconsiderando-as com uma soberba absolutamente inconcebível. E o certo e que, em consequência, se descobriu uma rede de tráfico humano, imigração ilegal e lenocínio. Por isso, o título da crónica não parece fazer sentido. A não ser que o autor entenda que aquelas Mães agiram em defesa das suas famílias, da forma esclarecida ou canhestra, mas de acordo com a sua educação. Mas se o fizeram com esse fito, quem poderá condená-las? Só os próceres desta nova disrupção moral, novos polícias e carrascos do delito de opinião!

O autor escreve segundo a antiga ortografia.

© Destak
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