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HORA BOLAS

Lage reage

22 | 09 | 2019   19.06H
João Malheiro

Há um acontecimento que tenho, temos todos, por adquirido. Foi a opinião pública que empurrou Cristo para o Calvário. E não havia redes sociais, não havia jornais, não havia televisões, não havia comentadores mediáticos belicosos ou ignorantes.

Alguém disse, muito depois de Cristo na cruz, disse até recentemente, que “o fraco treme diante da opinião pública, o louco afronta-a, o sábio julga-a, o homem hábil dirige-a”. O que é, afinal, Bruno Lage? É fraco? Não é. É louco? Também não é. É sábio? Dá sinais. É hábil? Já deu mais sinais.

O técnico do Benfica, em virtude de uma competência imprevista e de um discurso precaucionado, transformou-se numa unanimidade na nação benfiquista, até mesmo nos universos rivais. Protagonizou um trajeto lancinante na segunda metade da última temporada futebolística e principiou a presente com igual xeura. Não venceu o Sporting, por 5-0, na decisão da Supertaça? Não prosseguiu a verve goleadora, ainda que sem Félix, sem Jonas, sem Sálvio, mesmo com dois avançados quase em esterilidade concretizadora?

A derrota caseira frente ao FC Porto e, no mesmo cenário, o desaire perante o Leipzig, líder do poderoso campeão alemão, mesmo com exclamativo triunfo em Braga (4-0) de permeio, tanto bastaram para que fosse sovado, até ao limite da tirania, por uma opinião pública que, como diria Ramalho Ortigão, é a pior das coisas públicas.

O Benfica venceu o Moreirense. Venceu ainda que, sofridamente, à tangente. Tréguas para Lage, mesmo que as cicatrizes não redundassem defuntas. Quanto ao resto, quanto ao futuro próximo ou mais longínquo? A opinião pública é o que é, Lage é o bom de bola que é, já não é o que deveria ser quem promete um Benfica nos píncaros da Europa, na enternecedora versão Seixal, por temerário e perigoso populismo. Essa é que é.

© Destak
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