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COLUNA VERTICAL

A inconfidência de Catarina

24 | 09 | 2019   22.46H
José Luís Seixas
O debate entre os líderes dos seis partidos com representação parlamentar da passada segunda-feira registou um facto que – vai-se lá saber porquê… – pouco foi relevado e é paradigmático do modo como se exerce a política em Portugal. Catarina Martins cometeu uma inconfidência. Grave. Revelou que na manhã de 4 de Outubro de 2015 – dia das eleições – enquanto os cidadãos depositavam o seu voto se reuniu com António Costa para acordarem bases de um programa de Governo susceptível de ser apoiado pelo BE. Ou seja, antes ou concomitantemente com a votação livre dos portugueses, Costa e Catarina cozinhavam as vitualhas do futuro poder indiferentes à vontade que os eleitores viessem manifestar…!!!! Espantado com o facto, apesar de ter já havido sinalizações do mesmo há tempos, fui reler as declarações de Costa nesse dia após o conhecimento dos resultados finais: “ O PS não alcançou os objectivos eleitorais a que se propôs e eu assumo por inteiro a responsabilidade política e pessoal pelo resultado do Partido Socialista”; “Compete à coligação PSD/CDS-PP formar Governo”; “ninguém conte com os socialistas para serem “maioria do contra”, gerando ingovernabilidade; “Os resultados eleitorais, os que são conhecidos, demonstram que o PS teve menos votos e não é o partido parlamentar com mais mandatos”; Cabe assim à força vencedora, a Coligação PSD/CDS, “o ónus de criar condições para governar”; “Mas a coligação tem de perceber que há um novo quadro e que não pode continuar a governar como se nada tivesse acontecido”; “Nós não inviabilizamos governo, sem termos um governo para viabilizar”; “Mas que ninguém que conte connosco para sermos só uma maioria do contra”. Tudo isto, repete-se, a 4 de Outubro. O acordo entre o PS e BE foi formalizado um mês mais tarde. Ou seja, um volvido um mês de mentira, de ludibrio, de engano. Catarina andou mal ao confrontar Costa com este embuste. Costa andou pior ao fomentá-lo de forma esconsa. Nada disto é edificante ou ético. É política, dirão. Não, é artifício, manha e esperteza saloia.
© Destak
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