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HORA BOLAS

Abaixo a Europa

06 | 10 | 2019   17.02H
João Malheiro

Portugal fez o que fez e fez com desfaçatez. Em França, há três anos, arrebatou o título europeu, numa final epopeica, quase sem Cristiano Ronaldo e perante um opositor que se vinha constituindo, ao longo dos últimos anos como desmancha-prazeres das aspirações lusitanas. No ano passado, prosseguindo a senda vitoriosa, Portugal arrebatou também a primeira edição da Liga das Nações.

Com uma equipa pragmática, no ápex do resultadismo, também no recurso de virtuosidade, muito contribuíram jogadores que defenderam ou defendem alguns dos maiores emblemas do Velho Continente. Real Madrid, Barcelona, Juventus, Manchester City, Borussia Dortmund, Milan, entre outros, marcaram o desfile.

E nas competições europeias de clubes? Esta temporada, o cenário tem sido apocalítico. O Benfica não pontua, o FC Porto derrapa logo perante um oponente de segunda apanha, o Sporting exibe tremedeira angustiante, o Vitória de Guimarães expõe esforço inglório, só mesmo o Sporting de Braga, até à data, fez umas flores nesse ímpio jardim competitivo da Europa.

Não há surpresa, surpresa é a crença demagógica no sucesso. O Benfica é o caso mais prototípico, com repetidas e burlescas profecias. Campeão europeu na base da sua magnífica escola de formação? Com João Félix no Atlético de Madrid? Com Bernardo Silva e João Cancelo no Manchester City? Com Nélson Semedo no Barcelona? Com Gonçalo Guedes no Valência? E, já agora, com Oblak ou Ederson, com Di Maria, Matic, Rodrigo, Garay, David Luiz, Witzel, Sálvio ou Gaitán nas enciclopédias de memórias?

O Benfica tem um novo paradigma. Não aposta em regressar à ribalta internacional, transformou-se numa fábrica de produção de talentos para exportação. A realidade financeira não pode ser ignorada, mas a vertigem vendedora é a origem perdedora.

© Destak
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