O que a chuva faz às crianças
Descobertas feitas em visitas a escolas de Lisboa:
1. Em muitas das nossas escolas as crianças não vão para o recreio quando chove. Nem quando estão constipadas, ou espirram duas vezes. E como a maioria das escolas não tem recreios tapados, há dias seguidos no Inverno em que os meninos não deixam as quatro paredes da escola, para dali seguirem para as quatro paredes de casa. Depois os adultos queixam-se que não conseguem ficar quietos ou, pior, decidem que são hiperactivos e procuram alguém que os medique. Na Noruega, só não brincam lá fora nos intervalos quando a temperatura desce abaixo dos menos 15 graus centígrados - temos um clima invejável e vivemos com medo de uns pingos…
2. Diz uma professora do ensino básico: «Os pais geralmente deixam os filhos à porta de carro e depois vêm buscá-los de carro novamente, por isso não trazem galochas nem gabardinas, e muitos deles não sabem sequer segurar num guarda-chuva. Como é que os posso levar à rua assim? Por isso, quando chove, até visitas já marcadas temos que desmarcar.»
3. A carrinha da escola, pergunto ingenuamente. Resposta: «As escolas públicas de Lisboa não têm transportes próprios e nas grandes cidades as parcerias com a Câmara são raras. Algumas escolas conseguem alugar, mas para isso os pais têm que pagar, e muitos não podem. Por isso não se vai.»
4. Uma nova norma do Ministério da Educação estipula, ao que parece, que não há passeios sem uma professora e uma auxiliar por classe. Sensato, no mínimo. Único problema, dizem-me, é que o quadro das auxiliares foi reduzido, e mesmo as vagas não são preenchidas. Por isso os meninos não saem…





3 comentários
Por outro lado, ADORO andar à neve. Por isso compreendo bem os Noruegueses.
Chuva e neve são realidades muito distintas do mesmo material (H2O).