Razão e Coração
Uma semana no Norte, na mansidão fria mas torridamente bela de Vila do Conde, propiciou-me a investida ao arquivo fotográfico que mora no sótão do palácio dos meus sonhos juvenis. Bola? Sempre bola. Bola com nomes, nomes de gente que fez a história da bola.
Já poucos se lembram do Araújo, numa fotografia comigo, tirada aquando de uma ida a Vila Flor, terra adoptiva do fantástico Hernâni, para muitos o mais genial futebolista de sempre do FC Porto. Araújo era um ponta-de-lança de baixa estatura e de alta gama de recursos. Nos tempos em que o Benfica e o Sporting chacinavam os adversários no futebol doméstico, a Selecção era conhecida por Sport Lisboa e Araújo, tão marcante foi o desempenho do avançado nortenho na defesa das cores nacionais.
E que dizer do Travassos, o Zé da Europa, primeiro português a envergar a camisola da UEFA, numa altura em que a televisão era ainda mentira? Consegui levar o Travassos ao Norte, há quase duas décadas, já estava algo debilitado, na companhia do Jesus Correia, outro executante de eleição, presença sempre tão obrigatória quanto lisonjeira nas minhas festas de aniversário.
Gente do FC Porto, gente do Sporting, gente também do meu Benfica. Mário Coluna, o capitão da mais famosa esquadra vermelha de sempre, passou uns dias comigo em Vila do Conde. As fotos traduzem o meu entusiasmo quase infantil, lado a lado com aquele que passou à história como o Monstro Sagrado do futebol português.
Num desfile garbosamente interminável, revi Eusébio, Gomes, Damas, Chalana, Manuel Fernandes, Humberto Coelho, Madjer, Hilário, Bento, Vítor Baía, Paulo Futre, Rui Barros. Tantos e tantos outros, sempre na serventia da bola. No cenário de Vila do Conde. No meu apelo. Ou na minha maior vitória para a razão do futebol.





