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ESTRANHO QUOTIDIANO

A corja

08 | 01 | 2010   08.52H
J.L. Pio Abreu

Uma vantagem da crise foi livrar-nos da petulância dos economistas liberais. Eles, que nos anos 90 sonhavam um mundo perfeito comandado pelo Mercado, que apregoavam as vantagens do Estado mínimo, que viam como crime a injecção de moeda pelos bancos centrais, que apontavam como modelo a Islândia e a Irlanda, que achavam seguros os negócios do Lehman Brothers, calaram-se e esconderam-se quando viram tudo isso ruir numa crise que não souberam prever.

Quando apareciam, envergonhadamente, era para pedir a salvação dos bancos e felicitar os governos que o faziam. Já aceitavam a injecção de dinheiro, achavam bem a nacionalização dos bancos e que os Estados se endividassem para os salvar. Até pediam ética na actividade económica, chegando a criticar os ordenados milionários e a existência de offshores.

Foi assim que os bancos foram salvos e a sua crise acabou. Mas continua a crise das empresas a quem eles cobram juros elevadíssimos, aumentando, por arrasto, o desemprego. O problema já não é dos bancos, mas sim dos governos que perdem receita e gastam na protecção social. Mas o pior é que estão aí de novo os economistas em todo o seu esplendor.

E o que dizem eles agora? O mesmo que há 10 anos, quando glorificavam a Islândia e a Irlanda: que o Estado não se pode endividar e, como perde receita e aumenta a despesa, só lhe resta vender-se. Vender-se, a começar pelas escolas e hospitais, dizem eles. A mim, dá-me vontade de dizer que nos livrem dessa gente. O seu receituário já fez mal que chegue.

© Destak

16 comentários

  • Caro Sr.Dr.Pio.Tive o prazer de o conhecer como médico em Teixeira Pinto nos anos 70 e já nessa decada o Sr.era um médico excelente pelas qualidades Humanas.Lembra-se Qd o Major Durão bateu no basico Luisinho(ferindo uma orelha) e o Sr.queria participar deste Major? Tal como estes usurpadores que nos violentam dia após dia com a ditadura dos mercados o Sr.continua e mt bem a denunciar.Hoje estamos mais pobres e já sofremos pelos nossos filhos.O Sr.tem moral para falar ao contrário de mts que por aqui andam apenas para terem algum proveito da situação e estão mt caladinhos.Bem aja!tenho por si e pelo Dr.Mário Bravo uma admiração especial!
    Carlos miranda | 03.12.2011 | 17.52Hdenunciar comentário
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  • Estou desempregado à custa da corja quem são eles? uns senhores!!! que roubaram a UNIMED/GPSaude/BPN e continuam a realizar negócios muito na moda!!!PRISÃO JÁ esta gente são HOMICIDAS SOCIAIS.
    José Carvalho | 26.01.2010 | 19.13Hdenunciar comentário
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  • Texto sintese da sociedade humana? onde há uma doença chamada dinheiro!!! multiplica-lo com que objectivo? Alguns agem assim por demência.Receita:Para grandes males grandes remédios.
    João Marques | 26.01.2010 | 19.01Hdenunciar comentário
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  • É PRECISO TIRAR TUDO O QUE HÁ NAS NEGRAS TOCAS!!! É quase inacreditável ao que chegou a nação lusitana/Portugal no que diz respeito a ladrões e vigaristas de alto coturno do nosso nacional establishment. No entanto, as nossas cadeias estão a abarrotar de arraia miúda que tenta criminosamente seguir as pisadas delituosas dessa gente que se apresenta com um aspecto cândido e uma aparência pura, que, comprando tudo o que se prenda com a “Justiça” e tribunais, ainda têm e desplante de ameaçar tudo e todos, pavoneando-se a seu bel-prazer por todos os paraísos de luxo, luxúria, devassidão e prazeres incontidos, quando deviam estar, há muito tempo devidamente acorrentados em celas de masmorras. Por tudo isto, não posso deixar de concluir que devemos bem-dizer o que a idónea comunicação social consegue tirar das negras tocas, mostrando-nos quão difícil é encontrar uma figura publica que seja integra e honesta, apesar de ainda encontrarmos algumas pessoas de bem, mas que são cada vez mais difíceis de encontrar, tal como procurar agulha em palheiro. Cavaco Silva tem dinheiro em offshores movimentado pelo seu grande amigo Dias Loureiro no Banco administrado pelo seu grande amigo Oliveira e Costa, em prisão domiciária. Sócrates é o que se vê! CDS é os submarinos, milhões e milhões de €uros de burla. Em jeito de finalização direi que muitos reincidentes de topo, em conluio, criminosamente tudo fazem e tudo compram, uma vez que uma grande parte da “Justiça” come no mesmo prato de tais delituosos ladrões, ilibando-os de todos os crimes. "Otelo, volta, estás perdoado. Traz as G3 e as chaves do Campo Pequeno!"
    Cumprimentos
    MariaL
    MariaL | 13.01.2010 | 18.42Hdenunciar comentário
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  • A grande verdade, porém, aquela que a todos nós custa admitir, é que teremos de ser ser nós, os cidadãos, a livrar-nos dessa gente.
    LOGICA | 12.01.2010 | 14.24Hdenunciar comentário
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  • Caro J. L. Pio Abreu, gostei muito do seu texto. Entre todos aqueles que dão a sua opinião nesta página, a sua é a mais saudável. A sua opinião final está de acordo com o melhor espírito.
    Miguel Botelho | 12.01.2010 | 13.04Hdenunciar comentário
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  • Estas conversas de economistas que todos os dias vemos na televisão ou lemos nos jornais, que os problemas do 'mundo' são problemas económicos e se resolvermos os problemas económicos pelos mecanismos da economia o 'mundo' fica salvo é, para mim, conversa da treta. Os problemas económico-financeiros que as sociedades ditas ocidentais hoje apresentam foram criados pelos economistas, isto é, pelas políticas económicas aplicadas por estes ou outros ditos pensadores e fazedores das economias dos países.
    São estes senhores 'engenheiros da moeda' que ao raciocinarem (mesmo que de boa fé) sobre as sociedades destas formas económico-financeiras, que levaram a todo este global descalabro.
    E vêm agora com receitas e medicamentação do mesmo veneno que aplicaram à sociedade. O problema e solução, neste caso são faces da mesma moeda, logo terá de se repensar o que levou a sociedade a este caos. E para mim, os 'economistas' não estão no lote dos que podem agora opinar, quanto mais pensar.
    O problema existe porque a sociedade (o Homem) evoluiu no sentido do 'dinheiro' em vez da 'felicidade' (realização enquanto seres humanos). Não é por acaso que aparece o ditado “o dinheiro trás a felicidade”. E é por isso que aparecem os ‘economistas’ para nos fazer ganhar dinheiro. Só que a realidade (o presente) mostra que não foi assim.
    O dinheiro trouxe sim, miséria para muitos e dinheiro (poder) só para alguns.
    Certo é que já não andamos de ‘pés descalços’ nem vivemos em ‘casa dos pais’. Mas certo é também que nos custa imenso andar calçados e pagar a prestação da casa e não temos vida para além destas efémeras regalias. Esquecemo-nos de ser felizes.
    Temos uma aparente melhor vida mas não somos mais vazios. Quem só evolui nos bens e esquece a alma, torna-se pior ser humano. Hoje todos os nossos filhos (e até nós) têm um curso superior (são doutores) mas estão desempregados ou a trabalhar fora da área de formação e ganhar de forma insuficiente (não chega para as despesas que assumiram) e não estão realizados (são infelizes).
    A sociedade só poderá regenerar-se através dos valores sociais e da família (da vizinhança, do bairro, da cidade e do país) que se foram perdendo no caminho inverso do poder social – económico. Temos de voltar a perceber que não somos todos iguais, não temos todos direito ao sucesso económico (direito à propriedade) pelo facto de existirmos.
    Perdeu-se a vivência e aprendizagem com os mais velhos (vão para os lares ou são abandonados) e as crianças perderam a educação dos pais/família (vão para a creche ou ficam fechadas em casa ou na rua).
    Evoluímos no sentido de mais instrução mas abandonámos a educação. Porque a escola não trás obrigatoriamente educação. E era possível ter conjugado as duas e eu quero acreditar que ainda é possível. Mas reconheço que o temo urge e já é muito difícil de o fazer porque estamos a atingir uma fase em que as gerações que têm ainda educação já estão a 'morrer'. E ninguém pode dar o que não tem e a geração da economia (dinheiro) só pode dar o que tem, dinheiro e este começa a faltar e a estar muito caro. O dinheiro pode ajudar a fazer a felicidade, mas só por si, não a dá. Só mesmo a efémera e essa tem juros altíssimos a pagar e caminhamos para uma sociedade que já não cumpre os seus compromissos, porque infelizmente é academicamente culta mas não é educada e por conseguinte já não tem honra.
    [FV] | 12.01.2010 | 11.27Hdenunciar comentário
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  • Caro Dr. Pio Abreu, você assim vai fazer com que centenas de estudantes de economia abandonem a faculdade na próxima semana, ou pelo menos fiquem muito reticentes quanto à validade e utilidade daquilo que lhes é proposto pelos seus professores.
    JMC | 10.01.2010 | 00.48H
  • Como complemento, porque não congelar os salários, não só em Portugal, mas a nível global, e abrir TUDO (público, privado, comércio, indústria) 24 horas (ou quase) por dia com horários de, por ex., 25-30 horas semanais por trabalhador? Quantos empregos se gerariam? Afinal o dia tem 24 horas, não é só das 8 às 18. Penso que está na hora de uma mudança radical nos estereótipos do tempo em que o mundo era habitado por "meia-dúzia" de pessoas e em que os empregos eram relativamente fáceis e para toda a vida. Vejam as cidades como S.Paulo, Hong Kong, Nova-Iorque e outra grandes metrópoles. Eu gostava de poder ir ás compras ou a uma repartição qualquer à hora que me desse na gana, assim como de poder trabalhar a qualquer hora.
    pedro lindo | 09.01.2010 | 21.51H
  • Concordo plenamente, este modelo económico à muito que está ultrapassado, à muito mesmo. Só serve uns quantos, e no imediato, mas como modelo para garantir um futuro económico sustentável para a humanidade é um desastre. Não sou economista mas na minha opinião a solução passa pela diminuição do horário laboral, criando mais emprego, logo mais descontos, menos subsídios, menos pensões e mais riqueza, porque obviamente, havendo mais gente a ganhar à mais gente a gastar, fazendo com que, cada vez mais, haja necessidade de mais mão-de-obra. É um circulo vicioso ao inverso do que, tristemente, se está a assistir.
    pedro lindo | 09.01.2010 | 21.42H
  • "Num registo pedagógico, o único deputado assumidamente gay terminou notando que o arco-íris da bandeira do movimento LGBT “será também o símbolo da nossa República" (in "Revolta em surdina no PS no dia do "sim" ao casamento gay", Público, 09.01.2010).
    E por aqui se vê que a ideia GAY é fundamentalmente de EXPANSÃO e não de obtenção de direitos para minorias. Não se faça alguma coisa contra a CORJA não...
    SIMSENHOR | 09.01.2010 | 09.57H
  • Fiz uma aplicação de 15.000 num banco. Precisei do dinheiro antes do prazo. Fui penalizadom em 300 € Juros...zero! Alguém adivinha qual foi o banco?
    Pedro Coelho | 08.01.2010 | 19.31H
  • IN GOD WE TRUST, literalmente significa: Nos dólares confiamos . . . !
    alexandre barreira | 08.01.2010 | 16.49H
  • É a DEMÊNCIA de um sistema inumano gerido pelo amor de ALGUNS à alta finança. A "doença" começou com o livro "The Race" (Eliyahu M. Goldratt, Robert E. Fox), primeiramente publicado no fim dos anos 80, quanto a mim como reacção invejosa à recente supremacia do Japão sobre a América na produção de electrodomésticos. Aí se promove a ideia de que o que afinal interessa não é o que Henry Ford pretendia, produzir para as massas, mas sim, gerar dinheiro a qualquer custo. Deus passou a chamar-se ROI (Return On Investment). Vergonhoso, no meu entender, mas aplaudido por muitos e hoje uma verdade incontornável. Vender o Estado, como sistematicamente está a acontecer, é colocar nas mãos dessa gente os cidadãos, o património, as terras, e, a longo prazo, a própria História. Se não fosse dos professores deste país, de quem esperar uma réstia de lucidez? A lucidez deste artigo confirma-o.
    SHAME | 08.01.2010 | 12.03H
  • A função destes senhores, acham eles, é "desenvolver". Daí esta "pesquisa de novos mercados" como sejam a saúde pública e o ensino e o conhecimento. Sim porque a educação é muito mais do que "a escola" e "dar aulas".
    Albicastro | 08.01.2010 | 10.32H
  • Pio, filho, queres tu dizer, os "ultra-liberais", aqueles em que a finança se está marimbando para a economia real. Porque liberal (social) sou eu e de facto não tenho nada a ver com essa gentalha. Da mesma maneira que muita gente de direita em Portugal nada se identifica com o "antigo regime" nem com o grande capital. Mas na voz de alguns "esquerdos" é tudo a mesma coisa. Que não ... ultra-liberais, portanto!
    WebDot | 08.01.2010 | 09.37H
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