PEC de um país sem rumo
“Para quê fazer comentários – ao fumo efémero de um cachimbo? Para quê fazer uma estátua – de neve que se derrete?” Este era o espírito de descrença e desolação que inflamava o verbo de Eça a propósito da insaciável sede de reformas legislativas que contaminava os conturbados tempos políticos que tão sublimemente retratou. Esta memória regressa viva e cruel com o anúncio do PEC.
Do que se conhece ficam medidas financeiras fortemente penalizadoras da já exaurida classe média, o aumento da carga fiscal das famílias, a redução de subsídios sociais, a venda de património público. Ou seja, o empobrecimento da sociedade e o empobrecimento do Estado.
A reboque, coloridas e folclóricas decisões para comprazimento de alguma esquerda, como a tributação das mais-valias bolsistas e a criação de um novo escalão de IRS, cujo resultado ao nível da receita fiscal é, simplesmente, ridículo.
Pelo meio, queda o desmentido de tudo quanto foi apregoado pelo PS em campanha eleitoral, a incineração de todas as prioridades brandidas por Sócrates, enfim, o decesso público do compromisso estabelecido com os portugueses ainda há poucos meses, por ocasião das eleições legislativas.
E em nome de quê? Da redução do défice para 3% até 2013. Este o único objectivo anunciado, o desígnio supremo com que se pretende comprometer a Oposição e mobilizar o País. Embora necessário, é curto. No contexto dos PIGS as nossas finanças não serão, porventura, as piores.
Mas a nossa economia é, seguramente, a mais débil. E sobre ela não se aponta uma ideia de futuro que permita às famílias interiorizar que o seu sacrifício faz sentido e vale a pena. E lá vamos nós, castigando sempre os mesmos e vendendo o que resta para pagar dívida. Não para investir nem para criar riqueza.
No governo de uma casa seria a ruína. No governo de um País é o prenúncio do regresso à mão estendida da misericórdia internacional.






6 comentários
2- Fusão de universidades e institutos politécnicos, diminuindo os custos de operacionalidade.
3- Acabar com fundações e outras instituições completamente fúteis.
4- Redução de subsídios de todas as naturezas (a maioria deles desnecessários e fraudulentos).
5- Redução do número de deputados para metade, bem como regalias e custos de operacionalidade.
6- Extinguir os governos civis que para nada servem.
7- Acabar com a maioria das representações diplomáticas que nada fazem.
8- Para quê três ou quatro corpos de polícia (GNR, PSP, PJ; GF, PM) com poderes semelhantes e confusos!?
9- Extinção das direcções regionais que mais não são do que extensões do poder político! 10- Redução de pessoal nos ministérios, secretarias de estado e direcções gerais e redução de mordomias.
Enfim, muito, muito mais poderia ser feito, sem que sejam sempre os mesmos a pagar a factura.
Por esse país fora toda a gente esbanja dinheiro para satisfazer as suas clientelas. Veja-se o que se passa nas autarquias que terciarizam os serviços e, mesmo assim, aumentam o número de funcionários e de despesas correntes.
Parece-me que ninguém quer fazer nada. Creio não ser este o caminho para solucionar o problema quer do déficit quer da dívida pública. Tal consegue-se pela redução de despesas, sobretudo as supérfluas, e nunca pelo aumento dos impostos. Estes têm um efeito pernicioso e retraiem o consumo e, consequentemente, o desenvolvimento da economia. Vou dar-lhes o exemplo inverso deste e protoganizado pelo Brasil que está a crescer imenso: baixa de impostos, incentivos ao consumo, generalização e facilitação do crédito, etc, etc, etc.
Há é falta de coragem para mexer com os poderes instalados e reduzir a pesadíssima máquina do estado. Não antevejo quem seja capaz de o fazer. Trata-se de poderes que se sobrepõem ao próprio poder electivo.
Acordemos, pois, e manifestemos a nossa revolta.
Tudo isto comandados por um partido que se auto-intitula de socialista, mas que não belisca os interesses dos Bancos para depois massacrar quem ganha 7.500 euros por ano, para sustentar como justo deixar de ter em conta os gastos de quem está ou é doente, quem gasta em educação com dois ou três filhos, quem ajuda filhos desempregados e não subsidiados. Infelizmente acontece que Portugal é governado por gente impreparada e sem projecto, que protege a finança e as corporações que sustentam o poder oligarquico de que o país está prenhe. Por isso militares, juizes, e muitos outros sustentáculos do regime continuam a fruir de regalias injustificadas e injustas, levando para casa a reforma mais cedo e acumulando com absurdos subsidios de renda de casa etc.
Já alguém pensou como pode um homem de 65 anos manejar oito horas uma picareta?
O país não tem rumo nem projecto, não tem classe dirigente de jeito, não tem igualdade de oportunidades.
Aconselho o regime a fazer como Salazar!: viver do passado glorioso de uma gória duvidosa, também feita à custa dos mesmos de sempre, é o que nos resta.
Não se pense no futuro, reflita-se sobre o passado. talvez seja essa a maneira de garantir a esperança.