Toyota
A natureza humana permanece. Por isso a economia será sempre envolvida em velhos mitos que não morrem. Um dos maiores colapsos empresariais de sempre mostra-o bem.
O mercado automóvel, símbolo do capitalismo triunfante, sofre há décadas um excesso de capacidade que anuncia terríveis reestruturações onde só alguns sobreviverão. Neste meio duro e competitivo uma só coisa é sólida e segura: os métodos pioneiros da Toyota na gestão da cadeia de produção dominam o sector. Todos os seus concorrentes os copiaram, e a japonesa está no primeiro lugar mundial, ultrapassando a General Motors em 2008.
Agora toda essa eficácia, esforço competitivo, redução de custos e poupança de meios traduziram-se numa sequência de graves falhas na segurança dos carros. Isto impôs à companhia enormes recolhas e substituições forçadas de veículos e à indústria um escândalo dos maiores da sua atribulada história.
A empresa confessa que foram a ânsia do confronto e de vitória que a levaram a esquecer os consumidores. Os concorrentes não se alegram com os infortúnios do líder, porque sabem que partilham com ele as características que levaram ao desastre.
Isto traz lições importantes, não só para os gestores, mas para nós. O poder económico, por maior que seja, depende sempre e só da satisfação dos clientes. Isto destrói ao mesmo tempo os mitos dos fanáticos do progresso e dos críticos do capitalismo. A tão louvada invencibilidade da inovação e tecnologia é afinal frágil. Tão frágil quanto a tão temida tirania das multinacionais.







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