Tolerância zero à violência na escola
Durante anos traduzi a palavra bullying por tortura, e apesar da vulgarização que já existe do termo, continuo a achar que em português explicita melhor o fenómeno.
Até porque, no original, bullying é um termo antigo com uma conotação benévola (quantas vezes ouvi a minha mãe dizer a um dos meus irmãos para não se «bully» uns aos outros!).
De facto, só muito recentemente, e à medida que a criança começou a ser olhada com outro cuidado, se tomou consciência de que havia touradas e touradas, e que muitas vezes o que acontecia não era um simples episódio de violência, mas um fenómeno psicológico específico, em que um opressor tortura um oprimido, tendo um e outro características muito particulares, a merecer ajudas também muito específicas.
A verdade é que de desconhecido o termo passou ao outro extremo, ou seja, a estar na moda para definir tudo. Suspeito de que seria mais eficaz dizer, pura e simplesmente, que a escola não pode tolerar nenhuma forma de violência, sob risco não só de a legitimizar, como de a ensinar.
Mas para não nos ficarmos pelas utopias, importa perceber que as escolas precisam de ajuda para lidar com as causas desta violência, nomeadamente a pobreza, a desmotivação, e alguma falta de autoridade que se sente dentro e fora dos estabelecimentos de ensino.
Foi por isso que ontem o Instituto de Apoio à Criança(IAC), mais uma vez, me surpreendeu bem. Numa nota breve, veio recordar que para além de lamentar, é preciso prevenir. É o que o IAC faz já há dez anos através do seu Projecto de Mediação Escolar, que consiste na promoção de Gabinetes de Apoio ao Aluno e à Família nas comunidades escolares, compostos por equipas multidisciplinares, e que deveria ser alargado a todo o País.
Simultaneamente, recomendaram que o «crime de ofensas corporais praticado em contexto escolar e de forma repetida, passe a ter natureza pública». Ou seja, passaria a ser dever de todos denunciá-lo.





7 comentários
A solução para acabar com o bullying é complexa tal como este fenómeno e passa por acabar com este tipo de violência entre os adultos. Não é preciso ser-se um técnico especializado para se perceber que as crianças que praticam estes actos são influenciados pelos adultos, principalmente, a sua família mais próxima e que ou são, elas próprias vítimas de maus tratos que descarregam nos outros, ou seguem o exemplo de bullying dos seus tutores.
O bullying é um fenómeno social que existe entre os adultos e para o qual é necessário criar medidas que protejam as vítimas e punam os agressores. É necessária a criação de leis contra a violência psicológica e todas as novas formas de violência da sociedade actual que são complexas, tal como a sociedade é e estão fora do actual alcance legislativo, garantindo impunidade e muitas vezes vantagens aos agressores. Melhores cumprimentos Luís Silva