Grave é não saber lidar com o bullying
«Tem direito a uma vida em que toda a gente é simpática para si. Se alguém a trata repetidamente mal, por favor não pense que tem alguma coisa a ver consigo ou com o seu comportamento. Se se sente infeliz é por causa deles, não de si. Não é da sua responsabilidade fazer o que quer que seja para que o tratem melhor. Apresente queixa às autoridades e as autoridades castigam e reabilitam as pessoas que são más para si.
Reconhece a escola filosófica ou da psicologia que ensina esta mensagem às pessoas? Não, não é nem a cognitiva, nem a racional, nem a dialéctica, nem tão pouco o judaísmo, o cristianismo, o islão, o budismo, o hinduísmo (...) A declaração acima é puro disparate.
É contrária aos ensinamentos de todos os sistemas da psicologia e da filosofia. Esta aproximação às relações sociais resultaria num desastre para o indivíduo e para a sociedade. Mas quer acredite quer não existe por aí uma escola da psicologia que está a ensinar esta forma insana de lidar com as relações humanas: a psicologia anti-bullying».
Não, este texto não foi escrito por um opositor do Procurador-Geral da República nem dos grupos que pretendem criminalizar o bullying, mas por um senhor chamado Izzy Kalman, especialista neste fenómeno. Este texto data de 29 de Dezembro de 2008, em resposta aos programas anti-bullying que invadiram as escolas norte americanas numa autêntica caça ao bully (que os investigadores afirmam agora não terem dado em nada).
Kalman não defende o bullying. Defende que há um excesso de diagnóstico, que confunde cobardas sociopatas, que tiram prazer de maltratar os outros, mas o que o importa acima de tudo é que esta política de preseguição do bullying – tratando-o como criminoso, e promovendo a denúncia, a vigilância, a investigação e a polícia na escola – tiram energia e investimento aos programas que deveriam estar a ser implementados, ou seja aqueles que ajudam as crianças a superar os seus problemas, a aprender a lidar com quem os ameaça, lição que lhes serviria para a vida toda, já que os bullying não se confina ao recreio da escola.
Porque pior não há, garante, do que ensinar alguém a ser vítima.





5 comentários
O que é preciso é disciplina e regras de trabalho, bem como patrocinar o ensino de valores humanos e sociais na escola