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OPINIÃO

Os pecados da Igreja

13 | 04 | 2010   22.27H
José Luís Seixas

Primeiro lugar-comum: A Igreja Católica é constituída por homens sujeitos às fragilidades da sua condição é um lugar-comum. Poucos são os ungidos pela Santidade. O Povo de Deus é formado por pecadores que esperam a remição das suas faltas. E tantas são.

Segundo lugar-comum: As denunciadas práticas de pedofilia imputadas a sacerdotes católicos são chocantes e indignam de forma especial os próprios católicos. São ofensas gravíssimas às crianças e a Deus, cometidas por quem as devia proteger e educar.

Terceiro lugar-comum: O ocorrido em instituições da Igreja Católica passou-se em instituições de outras Igrejas, de organizações laicas, do próprio Estado e passa-se, infelizmente, no seio de muitas famílias. Entre nós o infindável “Processo Casa Pia” deixou no ar muitas e muitas interrogações sobre os comportamentos de uns e as omissões de outros. E falamos de tempos recentes. Não remontamos a meio século atrás em que a valoração destes actos era outra e os silêncios acobertavam prevaricadores com relevância pública conhecida.

Quarto lugar-comum: Esta factualidade nada justifica ou branqueia. Ao contrário do mundo secular, a Igreja prostrou-se perante o sacrifício e a dor das vítimas de tais perversões. Pediu desculpa num gesto de profundo sofrimento. Reparou o que pôde reparar. E submeteu à Justiça dos homens os crimes praticados.

O que também é lugar-comum: Tudo isto é indiferente ao fundamentalismo ateísta, alimentado por ódios, recalcamentos e muita irresponsabilidade. Ver beliscada a autoridade moral da Igreja através de comportamentos indignos de alguns sacerdotes é uma prebenda que desfruta com indizível deleite. Ao pé desta campanha, o anticlericalismo jacobino da Carbonária era um jogo de playstation!

© Destak

15 comentários

  • Palhaço, falas muito mas não fazes nada do que escreves. És um triste.
    Rui | 29.11.2011 | 14.38Hdenunciar comentário
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  • Se as palavras de José Luis Seixas forem um dogma, concordo.
    Jean Cautin | 20.04.2010 | 17.27Hdenunciar comentário
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  • O comentador que assina com o nome "concordo" está a fazer uma tremenda confusão. E como acredito que o faz por falta de informação e não por maldade vou tentar esclarece-lo. Está errado quando diz que que os homossexuais são pedófilos. Assim o comprovam os vários colégios de medicina e psicologia nacionais e internacionais. Homossexualidade e pedofilia são comportamentos completamente distintos e nada têm em comum. Ambos os comportamentos podem ocorrer no mesmo indivíduo tal como heterossexualidade e pedofilia também podem coexistir no mesmo indivíduo. Os pedófilos sofrem de uma patologia que os faz sentirem atracção sexual por crianças, muitas vezes independentemente do sexo da criança. A atracção é gerada pelas caracteristicas infantis e não pelo sexo da criança.
    A noção que homossexualidade e pedofilia estão ligadas é uma tolice e não tem qualquer fundamento. Analisando os factos verificamos que os casos de pedofilia entre padres e crianças do sexo masculino acontecem porque a igreja segregam as crianças por sexo. As organizações da igreja frequentemente separam rapazes para um lado e raparigas para o outro. Daí resulta que os padres pedófilos tenham acesso a grupos de rapazes e que estes sejam os casos mais frequentes. Já no resto da sociedade, onde as crianças não são segregadas pelo sexo, as vítimas dos pedófilos são de ambos os sexos.
    Está errado quando afirma que legalizar a homossexualidade (nos termos que o comentador utiliza) seja uma forma de promover este comportamento. É impossivel promover um comportamento inato. A sua afirmação sugere que o respeito e tolerancia aos homossexuais iria aumentar o número de homossexuais na população. Isso é um erro óbvio porque não é possivel ensinar ninguém a ser homossexual, tal como não é possível ensinar a ser heterossexual. As leis que visam a igualdade entre as várias orientações sexuais não vão gerar mais nem menos homossexuais tal como as leis de igualdade racial não vão gerar mais nem menos indivíduos brancos ou negros.
    Humberto Reis | 17.04.2010 | 04.05Hdenunciar comentário
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  • Ahah, essa piada deve ter sido muitas vezes contada entre os acólitos da Igreja Católica. Esta Igreja criou uma inquisição que torturou e matou pessoas durante séculos. Até ajudou os militares das S.S. názi a fugir para a América do Sul. O filme de Costa Gravas, "Amen", dá conta disso. Talvez por este motivo, a Igreja não deixou passar esse filme em Portugal, com medo que as pessoas usassem a cabeça e percebessem o mal que vai dentro desta Igreja Católica. Este último caso dos padres pedófilos, uma lebre levantada pela comunicação social judaica e sionista (que se está bem nas tintas para o Vaticano), mostra bem o podre que é o poder sagrado que chega a proteger os padres culpados deste crime. O que vemos hoje é um poder sagrado, representado pelo Vaticano, totalmente corrupto, com um papa que pertenceu à juventude hitleriana. Será esta a Igreja católica que o José Luís Seixas defende? Parece que sim e tenho muita pena disso.
    Hope | 16.04.2010 | 22.01Hdenunciar comentário
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  • Olá, parece que temos aqui homossexuais salteados à la romana...
    ahah | 16.04.2010 | 14.14Hver comentário denunciado
  • "Concordo", a sua interpretação das afirmações do 2.º homem do poder sagrado (Vaticano) são tão ignorantes que não vale a pena discernir. Como é que a homossexulidade pode estar ligada à pedofilia? Explique isso melhor, em vez de andar em rodeios, como o seu confrade. Ao que parece, o fundamentalismo, alimentado por ódios, recalcamentos e muita irresponsabilidade vem do lado da Igreja. Os comentários aqui lidos merecem alguma interpretação. No seu caso, talvez não seja mau meter-se numa máquina do tempo e assistir a um auto-de-fé, abençoado pela sua Igreja. Já agora, leve o José Luís Seixas consigo. Acresdito que se vão divertir muito a ver os homossexuais e outros condenados a arder no espeto.
    Não Concordo | 16.04.2010 | 13.32Hdenunciar comentário
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  • Bem, parece que, mesmo com as palavras do cardeal expostas num dos artigos deste jornal, nem mesmo assim estes "intelectuais" as conseguem interpretar. Que há uma longa tradição de iliteracia em Portugal já sabíamos, mas assim tão profunda, e ainda nos dias de hoje, é que é de espantar. Já que gostam de estudos "estatísticos", o que o senhor cardeal francamente diz é que: 1) os estudos científicos dizem que os celibatários não são pedófilos. Daqui deve-se entender primeiro de tudo o que é um "estudo" desses, que nem sequer se deveria chamar científico, mas unicamente "estatístico". Trata-se de uma contagem de casos, pura e simples, e daí deduzir uma conclusão. Qualquer patego pode num mês estudar estatística e transformar-se num desses "cientistas". Os média estão cheios desse lixo da ciência a dar palpites por todo o lado. Os media e não só. 2) por outro lado, o senhor cardeal faz notar que esses estudos científicos (e a mim dá-me a impressão de que as suas afirmações são irónicas à fartança) dizem que os homossexuais são pedófilos. Ora, a lógica do cardeal faz todo o sentido: onde está a lógica de uma sociedade que tão voraz se atira assim à igreja por causa de casos de pedofilia (reprováveis, sem dúvida, muitos deles de há 50 anos), quando ao mesmo tempo a mesma sociedade promove e legaliza a homossexualidade que já de antemão se sabe estar ligada à pedofilia? Esta foi a mensagem simples e repleta de lógica clara que o senhor cardeal mandou cá para fora. Se os média a entenderam, ou se os "intelectuais" do costume a entenderam, ou se os comentadores dos jornais a entenderam, parece-me ser outro questão. É claro que, não sendo capaz de entender a mensagem, a coisa gera um alarido de invenções, comparações, indignações, estupidificações, alterações, blá blá blá blá blá... como algumas daquelas que aqui se podem ler.
    swrtido | 15.04.2010 | 11.56H
    CONCORDO | 15.04.2010 | 21.33Hdenunciar comentário
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  • O seu comentário peca pelo parágrafo final. Nota-se um nítido recalcamento pela mudança a que chama de "anticlericalismo jacobino" como faziam os seus avôs e bisavôs. O que a nova geração quer, aquela que o senhor se revê nas revoluções laranja, túlipa, rosa, etc.. é uma mudança ou, se quiser, um corte radical com o passado medieval, ao qual este Vaticano e esta Igreja pertencem. Não podemos aceitar a pedofilia que existe - é um facto assumido - na Igreja Católica, como instituição. Não podemos consentir que hajam autoridades clericais a proteger os padres pedófilos. Não podemos aceitar que o poder sagrado dite comentários como aquele que todos ouvimos: "que a pedofilia está ligada à homossexualidade". Para terminar, eu julgava o senhor uma pessoa com pensamento moderno, mas depois de ler o seu último parágrafo, a sua mentalidade, como também pensamento estão ligados ao mais profundo miguelismo caceteiro.
    De um liberal democrata | 15.04.2010 | 13.05Hdenunciar comentário
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  • Pelas afirmações de diversos altos dignitário da Igreja, não me parece que a dita Igreja se tenha prostrado perante ninguém.
    se a Igreja quiser sair limpa tem que assumir claramente, sem subterfúgios, todos facto. Não é com cardeais Ratone que lá chega.
    A Igreja tem responsabilidade acrescidas. E aquele que é hoje o Papa, sabe-se que andou anos a escamotear a verdade para não prejudicar a Igreja.
    Isto, para mim, é nojento.
    António Sequeirsa | 15.04.2010 | 12.37Hdenunciar comentário
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  • É verdade JLS, todos têm telhados de vidro epor isso gostam de atirar pedras aos dos outros na esperança de que nunca lhes caia nenhuma no seu telhado.
    akja | 14.04.2010 | 13.20Hver comentário denunciado
  • Não, caro JLS, a questão que dá origem às críticas do "fundamentalismo ateísta" (LOL) não é a ocorrência destes factos de per si.
    As criticas são motivadas pelo encobrimento e protecção que foi dada ao longo de dezenas de anos a estes criminosos, e que teve como directo protagonista, entre outros, o papa Bento XVI. O que motiva os ataques é que desde os anos 60 que a igreja recebe queixas, silencia os queixosos e protege os sacerdotes que abusaram deles, repondo-os em posição de reincidirem. Curiosamente não se refere a esse inconveniente aspecto no seu artigo - por que será?
    anónimo | 14.04.2010 | 11.43Hdenunciar comentário
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  • A religião Ateísta, associada à religião Anti-Cristo (Judaísmo do Talmude) são a origem de todo este ataque voraz, desesperado e desproporcionado contra o Cristianismo.
    westlover | 14.04.2010 | 11.11Hver comentário denunciado
  • Mas... o texto é da Isabel Stilwell ou do José Seixas? De qualquer forma, está muito bem, parabéns a quem o escreveu, pois coloca precisamente o dedo na questão frontalmente.
    gower | 14.04.2010 | 10.58Hdenunciar comentário
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  • O problema. caro cronista, é que a Igreja Católica, pela voz do Cardeal Bertone, tenta desviar as atenções do problema, ao deixar no ar a sensação de que a pedofilia resulta da homossexualidade - o que, como sabe, não é verdade: basta ver que a maior parte dos pedófilos é heterossexual, sendo sobretudo homens que abusam de meninas (a maior parte das vezes, o pai, o avô ou outros familiares próximos). No caso dos padres católicos, porque se movem num ambiente obsessivamente repulsor do sexo feminino, é perfeitamente compreensível que a maior parte das vítimas sejam rapazes. Basta ver que é muito diminuto o número de ataques pedófilos entre os ministros de religiões que não professam o celibato (caso dos protestantes, dos mórmons, dos muçulmanos ou dos judeus).
    Aliás, a questão central aqui é mesmo essa: qual a razão para a insistência no celibato e na ordenação exclusiva de homens dentro da ICAR? Segundo se diz, até Cristo se casou e teve filhos. Quer comentar?
    Vítor Vieira | 14.04.2010 | 10.30Hdenunciar comentário
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  • Meu caro Zé Luís, religião deveria ser assumida por convicção; logo nunca por educação e instrução desde a infância. Cada um deveria decidir-se na idade da razão. Mas, a partir do momento em que se adere a uma religião, os seus princípios deverão ser cumpridos. Sabemos que não é assim e que as diferentes religiões tentam, a todo o custo, aumentar os seus exércitos. Tomemos como exemplo a religião católica em Portugal. Todos nós sabemos como fomos "filiados" catequisados e manipulados ao longo dos anos. Tudo era pecado e tudo era proibido. O pensamento livre não tinha lugar e as dúvidas eram "dogmas" indiscutíveis. A tudo isto acresce que quem ia parar à vida eclesial eram os mais desfavorecidos, portanto com toda a carga de problemas inerentes a essa condição. A juntar a isto, eram "enclausurados" durante vários anos, ficando completamente desenraizados do mundo em que foram criados, normalmente, comunitário. Entendo bem todo este fenómeno e tenho bem presente que a "Igreja" é o conjunto de todos os católicos e, não só os prelados. Consequentemente, a igreja não pode ser dissociada do conjunto da sociedade. O que me parece estar-se a passar, neste momento, é mais uma guerra de religiões, muito embora a sociedade esteja mais aberta, mais consciente e mais alertada para determinados fenómenos. Não esqueçamos, ainda, que agora são tipificados crimes que o não eram noutros tempos. Tanto não condeno ninguém em particular como condeno todos em geral. Trata-se, sobretudo, de novos tempos e da profunda crise deste tipo de instituições. Se assim não fosse, como teriam ganho tanto terreno as novas seitas que são verdadeiros antros de todo o tipo de crimes!? Não sou ingénuo e não desculpo a padralhada, tal como não desculpo os outros. Apenas tento entender o enquadramento das coisas e concluo que a igreja é vítima, em primeira instância, de si própria, porque mantendo uma acentuada ortodoxia não procedeu, em devido tempo, às reformas que se impunham. Por mera curiosidade, verifiquem quantos padres jovens são acusados deste tipo de crimes. Poucos, muito poucos. Por que será? Tão só porque estes têm uma liberdade diferente dos seus antecessores e têm uma participação diferente junto da sociedade civil. Eles convivem, namoriscam, vão às discotecas ou boites, usam preservativos.... Mesmo com tudo isto, existem falta de vocações. Lá está o velho obscurantismo da igreja que sabe disto tudo mas não se abre e procede às reformas adequadas. E, depois, temos estes "papôncios" que em novos foram e fizeram de tudo e depois de velhos se julgam os senhores da verdade com publicações de sucessivas encíclicas, verdadeiros atentados às liberdades. Tenho para mim que a grande reforma tem que passar pelo Vaticano e acabar com esses velhadas de saias que já não têm nada para dar. Veja-se onde chega a hipocrisia ao constatarmos que o nosso Cardeal Patriarca, embora pessoa tida como elegível ao papado, seria liminarmente excluído porque é fumador. E depois temos coisas verdadeiramente inconcebíveis, tais como o fabrico de santos a que assistimos nos últimos anos, incluindo o Papa anterior. O que terá sido ou feito este senhor para ser santo!? Concordo que foi um verdadeiro revolucionário, talvez o maior do século passado, mas foi-o sobretudo politicamente. O exemplo mais deplorável que me ocorre deste homem é a imagem que ele quis passar do todo-poderoso e insubstituível ao arrastar como podia por todo o lado. Seria apego ao poder? O que poderia justificar tal? Quis a igreja, em crise, explorá-lo até ao tutano? Se foi isso, seguiu o pior caminho, como o fez ao eleger o actual com o passado que tem. Enfim, também a igreja padece dos mesmos pecados que as restantes instituições e sociedade. E, tudo isto está em decadência.
    MIMI | 14.04.2010 | 10.23Hdenunciar comentário
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