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OPINIÃO

Eusébio e Ronaldo

18 | 04 | 2010   21.41H
João Malheiro

De Salazar, por essa altura, ouvia-se um grotesco «orgulhosamente sós». Do povo, também por essa altura, ouvia-se um sentido «orgulhosamente Eusébio». Tudo começou no dealbar da década de 60. Em Paris, o Benfica perdeu 6-3 com o Santos, a mais famosa formação brasileira desse período. Eusébio apontou os três golos da equipa que até já era campeã da Europa, ainda que sem o seu concurso. E só não marcou outro, porque o treinador Béla Guttmann incumbiu José Augusto de apontar um penálti, coisa que o Pantera Negra teria feito com aprumo.

No final do jogo, Pelé estava siderado. «Fez bonitos golos; os jogadores do Santos, todos eles, eu próprio, dizíamos que aquele rapaz era um grande jogador, até porque ninguém sabia quem ele era». Pelé não tardaria a saber. Também o colossal Di Stéfano, poucos meses volvidos, derrotado no confronto directo frente a Eusébio, depois daqueles épicos 5-3 com que o Benfica achanou o Real Madrid na final dos Campeões.

Durante a década de 60, a questão foi inevitável. Quem é o melhor jogador do Mundo? «Para mim é o Eusébio, faz tudo o que o Pelé faz e o Pelé não faz o que o Eusébio consegue fazer – aquele poder de arranque e aqueles golos de meio-campo». José Maria Pedroto não vacilou. Outros mais consagraram Eusébio no topo da hierarquia da bola internacional. Ainda assim, a sombra de Pelé, ainda por cima representante de um país gigantesco ao pé do pequeno e nesses tempos ostracizado Portugal, sempre condicionou a afirmação de Eusébio como o melhor executante mundial.

E agora? A história repete-se com Cristiano Ronaldo. São outros os contornos? Só que a sombra mudou de nome, mas continua a ser sombra. A sombra agora é Messi, o genial jogador argentino. Ele está para Ronaldo como Pelé esteve para Eusébio. Quem é o melhor? Garantidamente, o melhor é mesmo Portugal, capaz de exibir, no espaço de meio século, duas das maiores preciosidades de sempre no planeta da bola.

© Destak
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