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OPINIÃO

Popularucho

30 | 05 | 2010   21.49H
João Malheiro

A história conta-se em duas pinceladas. Há uma semana, domingo, muitos foram os que acorreram à Covilhã com o fito de ver os craques da Selecção.

A romaria foi tão grande que a Federação Portuguesa de Futebol teve que emitir em SOS mais mil senhas de entrada para não abortar as expectativas. O treino, dirigido por Carlos Queiroz, teve quatro mil pessoas nas bancadas e ainda houve quem batesse com a bandeira na porta.

A sessão de trabalho demorou apenas 50 minutos. Findo o apronto, ouviu-
-se uma assobiadela rumorosa. O povo protestava pela curta duração do apronto. Eram sopeiras e magalas, eram miúdas histéricas e homens portadores de virilidade futebolística. Eram todos ou quase todos.

Queriam mais treino, queriam mais show. Pouco importava se o objectivo era fincar as pernas do Ronaldo ou do Veloso, se o objectivo era fixar a cabeleira loura do Coentrão ou as tatuagens do Raul Meireles, se o objectivo era enxergar as defesas do Eduardo ou as finalizações do Liedson.

Cinquenta minutos? Para quem veio de tão longe? Para quem renunciou à missa da manhã ou ao piquenique da tarde? O povo percebe pouco de bola, não faz a mais pequena ideia do que é um treino, menos ainda do seu conteúdo e da sua duração.

O povo quer é festa e festa prolongada. Era a Selecção Nacional que ali estava? Nem uma hora trabalhou? O veredicto não se fez esperar, todos prognosticaram um Mundial desastrado. Quem? Sopeiras e magalas, miúdas histéricas e homens portadores de virilidade futebolística.

E o que fizeram os jornalistas de serviço? Potenciaram os protestos até ao limite, até ao tutano. Esses mesmos que vivem da bola não foram capazes de perguntar a uma sopeira, a um magala, a uma menina histérica ou a um homem portador de virilidade futebolística se faziam alguma ideia do que é uma sessão de treino. E porquê? Porque quiseram alimentar o populacho da coisa.

Conclusão? É pior um mau repórter do que uma sopeira armada em especialista de bola. Ou um magala. Ou também uma miúda histérica. Ou ainda um homem portador de virilidade futebolística.

© Destak
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