EDITORIAL

Heart Gallery pela adopção

23 | 06 | 2010   20.31H
Isabel Stilwell | editorial@destak.pt

O retrato é uma arte mágica. Fotografar alguém é muito mais do que lhe «tirar as medidas», é captar a alma, a essência da pessoa que está ali em frente de uma câmara. Por isso é que os bons retratos, captados pela câmara ou pelo pincel, são imortais. A Mona Lisa que o diga.

E é por isso que a Heart Gallery é uma ideia tão genial. A organização que se dá por este nome e defende que todas as crianças têm direito a uma família, percebeu a força de um bom retrato e conseguiu que 150 dos melhores fotógrafos norte-americanos aderissem à sua proposta: fotografar as crianças e os adolescentes que vivem em instituições ou em famílias de acolhimento, para um portfólio de crianças que precisam de pais a sério, e que pode ser visualizado em www.heartgalleryofamerica.org (vá também a www.time.com/time/photoessays/heartgallery/)

De números passaram a rostos e o impacto foi brutal, com um número de adopções crescente. E o mais brutal, se passar as “páginas” deste álbum virtual, é perceber que a maioria destas crianças tem entre 10 e 18 anos, a idade em que o sonho de uma família se esfuma a olhos vistos.

Adolescentes da idade da maioria dos nossos meninos institucionalizados e que os serviços sociais, os portugueses incluídos, consideram «perdidos», porque «já ninguém os quer». A Heart Gallery provou que é mentira.

Que há quem os queira, se souber que existem, se alguém fizer a ponte entre quem pode e quer adoptar e aqueles que, basta olhá--los nos olhos, precisam de tudo, mas também têm tudo para oferecer. Não entenda mal. É claro que o que daqui se fala não é de uma agência de encontros.

Adoptar uma criança é uma imensa responsabilidade e adoptar um adolescente é uma tarefa ainda mais dura que, para além de sensibilidade, exige um acompanhamento técnico próximo de toda a família. O amor à primeira vista não chega, mas é um ponto de partida.

© Destak

2 comentários

  • O nosso processo de adopção é tão burocrático, mas tão burocrático, que em certos casos o melhor é adoptar um cão ou um gato, como fez um casal que conheço . . . !
    alexandre barreira | 24.06.2010 | 20.56Hdenunciar comentário
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  • Quando vejo Portugal com uma baixíssima taxa de natalidade (1,3%), e as mulheres da geração do Maio de 68 e respectivas descendentes, falar ou escrever sobre adopção, fico com vómitos. O que é que se passa? É assim tão complicado ficarem grávidas? Ou será que não querem?
    O estado a que este país chegou também é responsabilidade vossa, mas vocês não querem saber disso para nada. Vocês escapam como se fossem umas santas, e os homens sofrem com as vossas irresponsabilidades.
    Geração do maio de 68 = Geração de merda
    Roberto | 24.06.2010 | 13.07Hdenunciar comentário
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