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OPINIÃO

O fim dos hipers

01 | 07 | 2010   18.58H
J.L. Pio Abreu

Num dos seus últimos livros, Gilles Lipovetski caracterizava a nossa época como um tempo de hipercapitalismo, hiperconsumismo e hiperindividualismo. Se isto foi verdade, também é preciso perceber como tudo já está a mudar. O hipercapitalismo, ou o capitalismo financeiro levado às últimas consequências, rebentou. É difícil vislumbrar o que virá a seguir, mas o tempo da abundância, que os ortodoxos liberais prometeram, está a acabar.

O hiperconsumismo acabará a seguir, com agrado das nossas casas e arrecadações povoadas de inutilidades. Aliás, parece que andávamos todos a consumir aquilo que os chineses e alemães produziam.

Mas a proverbial inteligência da direita alemã levou-a a optar – e obrigar os outros a optar – pelas restrições económicas. Se deixarem cair o euro, não mais terão a quem vender as suas máquinas dispendiosas. E se os chineses deixarem encarecer o yuan, lá vão acabar as chinesices baratas.

Fica-nos o hiperindividualismo. “Eu, eu e só eu”, sem referência aos outros e às comunidades a que pertencemos, agora e no passado. Para compensar, nunca houve tantos grupos na internet, tantas causas virtuais nem tanto consumo da ficção que descreve “as nossas” seitas secretas.

Mas tudo isso é efémera ilusão. Se deixamos de partilhar na vida real, perderemos a identidade, as palavras e tudo o que nos torna humanos. Nem seremos macacos, que têm as suas pertenças. Seremos talvez robôs. Mas alguns, algum dia, terão de partilhar conversas para saber o que fazer dos tempos que aí vêm.

© Destak

8 comentários

  • Ohhh Crestinna deixa-me ir contigo...?
    Bem Fica | 03.09.2010 | 15.00Hdenunciar comentário
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  • O Capital é de quem o ganha e sabe poupar...O (forró...) do poste 25 está em extinção acelerada...Que bom! Isto de pobrete...mas alegrete...tem os dias contados? Embora o pior dos males seja o (RIQUETE...?...) lol~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~Selazar mandava: PRODUZIR E POUPAR, MANDA SELAZAR...
    Bico Amarelo | 03.09.2010 | 14.58Hdenunciar comentário
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  • Penso eu, que o fim dos hipers deu lugar aos "cibers". Então, temos o cibercapitalismo, a navegar por esse mundo fora; temos o ciberconsumismo, a ignorar o cibercapitalismo, e por fim, temos o ciberindividualismo, que nos conduz a outras galáxias, onde insensatamente os humanos estão ligados por avançadas técnicas de comunicação. Ao deparar-me com esta verdade, prefiro ir mesmo é ao Hipermercado!
    Paula Cristina Mota- Bragança | 02.08.2010 | 19.19Hver comentário denunciado
  • Parabéns!!! voltámos ao registo da excelência a que no habituou. Sempre com a marca da simplicidade que faz as coisas maiores, o debate que o texto estimula é também muito interessante.
    O hiperconsumismo vai diminuir mas o consumismo vai (e bem) continuar. Penso que foi Pascal que disse que se julgava rico não pela quantidade de dinheiro que possuía mas pela grande quantidade de necessidades que tinha desenvolvido ao longo da vida. Nesta linha de pensamento estamos todos mais ricos - todos temos mais necessidades - seja de cuidados de higiene física seja de cuidados de higiene mental. Logo a mais necessidades associa-se a necessidade de mais consumo (música, livros, alimentos, serviços de estéctica, ...).
    Diminuiu a pobreza e estamos todos mais iguais e com uma maior consciência do valor individual o que não é sinónimo de individualismo. Ou seja estamos no bom caminho ... Cristo, Gandi, Dalai Lama, Mandela, ... estão cada vez mais vitoriosos
    Manuel Martins | 07.07.2010 | 16.05Hdenunciar comentário
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  • E hipermiséria a rodos . . . !
    alexandre barreira | 03.07.2010 | 07.29Hdenunciar comentário
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  • CURIOSIDADE, acha que seria mulher!? Há quem consiga diferenciar o sexo pelo conteúdo das suas palavras. Nós homens somos mais pragmáticos, muito embora mais sonhadores que as mulheres, muito embora, muitos autores defendam o contrário. Mas a verdade é que o nosso superior pragmatismo resulta da necessidade de sermos nós a ter de resolver quase todas as questões difíceis no seio de um agregado familiar. Também por isso, cometemos os maiores erros. Já agora, em termos de esclarecimento, refiro que já passei a linda idade do meio século, portanto, com alguns cabelos brancos e alguma experiência de vida que vai para além da academia. Satisfeita a curiosidade, tenha um bom dia, um óptimo fim-de-semana etente ser feliz, apesar da crise que nos assola.
    FIFI | 02.07.2010 | 12.36Hdenunciar comentário
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  • FIFI, você é uma mulher ou um homem? :)
    CURIOSIDADE | 02.07.2010 | 11.20Hdenunciar comentário
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  • Doutor, gostei, embora considere que existem muitos mais hipers que, logicamente, se subentendem. Quanto ao hipercapitalismo ele vai manter-se por muitos anos porque os vampiros da banca e outros não vão desistir das suas vítimas. Por outro lado, os estados assentam as suas políticas nesse mesmo capitalismo. Ora, sendo assim, não vislumbro que venha aí um socialismo ou outra doutrina política ou ideológica qualquer. Quanto ao hiperconsumismo, aí, talvez aterremos mas vai levar tempo. Primeiro iremos alimentar a fachada até ao limite e só depois nos renderemos à evidência e à realidade. Em relação ao hiperindividualismo, efectivamente, ele vai diminuir e esgotar-se porque quanto mais pobres formos mais solidários seremos. Neste domínio, a pobreza traz algumas vantagens; nomeadamente a reestruturação do núcleo familiar. Voltaremos a ter famílias completas em sã convivências e partilhando as misérias. Já era assim no tempo do "ditoso" e em períodos anteriores da história humana. No que concerne ao suposto individualismo originado pelas redes sociais, sou dos que o aprovo com limites. Trata-se de uma excelente forma de diminuirmos a solidão, de partilhar, de conhecer mundo e de abrir novos horizontes. Lembremos que a história, na sua essência, se repete, embora com algumas nuances motivadas pelo avanço tecnológico, sobretudo.
    Em suma, os hipers não acabarão, mas vem aí um novo tempo: o tempo da reflexão.
    Por último, os meus sinceros parabéns por este artigo que nos conduz ao pensamento lógico e nos induz a fazer alterações comportamentais quer no domínio individual quer no colectivo.
    FIFI | 02.07.2010 | 08.20Hdenunciar comentário
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