Nas bocas do mundo
«Perguntem ao Maradona.» Foi assim que Messi se despediu, instado pelos jornalistas, depois da vexatória eliminação da Argentina frente à Alemanha? Não foi. Messi esteve bem. «Perguntem ao Queiroz». Foi assim que Cristiano Ronaldo se despediu, instado pelos jornalistas, depois da esperada eliminação de Portugal frente à Espanha? Foi. Cristiano Ronaldo esteve mal.
O melhor jogador português da actualidade passou ao lado do Mundial. Ele queria que este fosse o seu Mundial. Nós queríamos que este fosse o seu Mundial. Queria tanto ele, queríamos tanto nós, que Ronaldo se deixou arrolar na pressão, que (quase) todos se deixaram arrolar no despautério.
Pior ainda do que a censurável boca «perguntem ao Queiroz» foram as bocas, desaforadas e estridentes, que se ouviram num desfile imenso nas televisões na noite da derrota. Pseudo-especialistas da bola defenderam a saída imediata de Cristiano Ronaldo da Selecção Nacional. Num país com apenas uma vintena de jogadores de primeira água, que luxo seria esse de renunciar a um dos mais extraordinários jogadores mundiais, ainda por cima com 25 anos de idade?
Já os verdadeiros especialistas da bola, num desfile não menos imenso, saíram em defesa das razões de Cristiano Ronaldo para tanta angústia acumulada. Exemplos? «Ter um grande jogador como Ronaldo, um dos melhores, e não aproveitá-lo…», ajuizou Gary Lineker. «Foi extremamente frustrante para Ronaldo, não teve qualquer tipo de apoio», condenou Jurgen Klinsmann. «Que raio de plano de jogo tinha Portugal? Sinto muito por Ronaldo», sentenciou Clarence Seedorf.
Cristiano Ronaldo, ademais capitão da equipa, tinha que saber travar a boca «perguntem ao Queiroz». Só que não podia travar a sua raiva. Ele queria que este fosse o seu Mundial. Queria ou não queria? Perguntem ao Ronaldo…




