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OPINIÃO

Um outro amor de mãe

05 | 07 | 2010   20.52H
Luisa Castel-Branco

Queria tanto abraçá-la, aninhá-la no seu colo como quando era criança e lamber-lhe o rosto com beijos molhados, beijos que escondiam lágrimas, que fingiam que a tristeza não estava ali.

Ou então, bastava-lhe que ela se sentasse e conversasse uns minutos apenas, o suficiente para sentir que fazia parte da sua vida, daquela menina que continuava a ser para o seu coração de mãe. Os filhos nunca crescem. Nunca são adultos suficientes que não necessitem do amor incondicional de uma mãe.
Mas não sabia que fazer perante aquele silêncio, um silêncio que nascera com ela e que ela mantinha como se de um muro se tratasse, um muro alto e impenetrável.

Claro que sabia o quanto ela a amava. Mas não era suficiente, não era nada do que sonhara, quando nascera tivera finalmente uma rapariga e vira a vida toda na sua frente. As duas de mãos dadas, as duas a discordarem em muito mas sempre as duas como se fossem só uma.

A realidade, como sempre, trouxera outras vidas à vida. Sentia-se tão isolada da vida daquela que era uma parte do seu corpo, como se fosse uma estrangeira em demanda de algo que não sabe sequer o que é.

Mas ela sabia exactamente o que procurava. Um pouco de intimidade, um pedaço de partilha de esperanças e tristezas, o seu ombro vazio porque ela não o escolhia para se encostar, na felicidade como na tristeza.

O amor de mãe também é isto. Anularmo-nos, desaparecermos como uma névoa e só falarmos quando for indispensável. Com cuidado.
Ninguém disse que ia ser fácil.

© Destak

6 comentários

  • Uma senhora com letra Grande disse-me um dia tendo já 71 ano de vida , Uns dias depois de lhe ter falecido a Mãe disse, olha garoto agora que a minha Querida Mãe faleceu é que me dou conta que estou a envelhecer, que até aqui era jovem, Moral da Senhora, MÃE á só uma e o seu amor o único e verdadeiro. a mesma coisa o Pai mesmo se menos poucas vezes o deixe perceber.
    barbarrussa | 16.07.2010 | 12.09Hdenunciar comentário
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  • Pois é, que falta que eu sinto nestes espaços mudos entre mim e os meus filhos adultos da intimidade feita de cumplicidade, das histórias e dos pormenores, dos beijos e dos abraços.
    paula monteiro | 15.07.2010 | 16.29Hdenunciar comentário
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  • É destas histórias que nos falavam Eça, Camilo ou os escritores românticos que pareciam insuflar a realiadade. A verdade dos sentimentos é que são reais e às vezes temos saudades de sensações que não voltam (para nós) mas que continuarão a surgir nos nossos continuadores ...
    Manuel Martins | 07.07.2010 | 16.51Hdenunciar comentário
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  • Caia na real, m/ srª. Não sabe aquela história do menino que ensinaram a cavalgar amarrado à sela? Enquanto assim foi, ele nunca caiu. A 1ª vez que o montaram solto, caiu logo! Cada um só aprende à sua custa.E é assim que as derrotas ensinam e que as vitórias enobressem. A srª pensa inclinada! Devia pensar direita.
    jovemvidente | 07.07.2010 | 16.17Hver comentário denunciado
  • Sensual, erótico ou nem tanto! - 1.º parágrafo. Nada de nada. - restantes parágrafos.
    Será só para mães entenderem.
    Elas conseguem ver o invísivel, sentir o insensível, tocar o intocável, ouvir o inaudível, falar sem palavras...
    E o pai? Parece que somos uma sociedade de pais incógnitos. Ninguém os ouve e ninguém os entende. Mas serão os únicos capazes de dizer que uma salada russa não passa disso.
    MICÁ | 06.07.2010 | 08.52H
  • São os "carreiros" insondáveis desta vida . . . !
    alexandre barreira | 06.07.2010 | 07.53H
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