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OPINIÃO

A marca dos campeões

13 | 07 | 2010   20.14H
José Luís Seixas

Iker Casillas é unanimemente considerado como o melhor guarda-redes da actualidade. Com apenas 16 anos, deixou Móstoles (uma povoação dos subúrbios de Madrid), para suceder a Cañizares na titularidade da baliza do Real. Homem modesto, sem caprichos de estrela, apesar de ser, com Raul, um dos elementos mais carismáticos daquela constelação de astros e de vedetas.

Há pouco tempo um jornalista perguntou-lhe como se sentia sendo um “Galáctico”. Respondeu: “No soy Galáctico, soy de Móstoles”. Líder incontestado da selecção campeã do Mundo, não resistiu à comoção na hora da vitória. Nem à ternura quando, entrevistado pela sua namorada, protagonizou um dos momentos que marcará este Campeonato do Mundo.

Vicente Del Bosque nasceu em Salamanca. Jogou no Real Madrid que viria a treinar e onde se consagrou, nesta qualidade, bicampeão europeu de Clubes. Referência maior do futebol espanhol e europeu, “Don Vicente” assume-se, no entanto, como treinador antivedeta.

A voz tonitruante, o vasto bigode, o ar pesado, sisudo e reservado compõem a imagem do espanhol típico, tão bem retratada nas inolvidáveis caricaturas de Mingote. Educado, cortês, discreto, semeia respeito e consideração entre jogadores e colegas. “Es un caballero”. Assim o definem os espanhóis. Ou um treinador “à antiga”. Sem poses, nem sobranceria, nem assomos de infalibilidade.

Iker e Don Vicente transpiram simplicidade. Simplicidade e autenticidade. Não se transformaram em produto nem se coisificaram numa marca. Talvez por isso, ficamos com a sensação de que o seu choro, o seu riso e os seus impulsos de ternura são verdadeiros e não fabricados e preparados por agências de comunicação. É bom saber que ainda há gente assim no futebol.

© Destak

2 comentários

  • Percebi bem o alcance da sua muito boa crónica. De facto é preciso confiança para alcançar certas metas, mas na altura da vitória convém sermos humildes. Era bom que isso chegasse a mais gente neste país ... não vale a pena dizer quem ...
    anónimo | 14.07.2010 | 18.18Hdenunciar comentário
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  • Doutor, ponha os pontos nos ii ou chame os bois pelo nome. O Jojó Mendes é dono de tudo o que se refere ao futebol. Coloca quem quer onde quer e pelo preço que quer. Manipula os clubes e as federãções. Só ele consegue convencer o Mourinho a levar o Quaresma para o Inter, o Dimaria para o Real os jogadores do Porto poara o Celsea, etc, etc, etc. Depois vem a gestão da imagem, esta, por sinal muito fmal feita: Deco e Ronaldo, na selecção, são os melhores exemplos da pior gestão. E mais não digo. Em relação aos espanhóis ouvem-se agora os mais rasgados elogios por atletas e treinador, os mesmos de quem já se disse tão mal. As vitórias tudo apagam, sabemos disso. Duvido que o tal Don Vicente ganhasse 700/800 mil euros por passagem aos oitavos de final. Devo confessar que em Espanha parece-me haver bem menos chulice do que por aqui. Se voltarmos uns tempos atrás, também passou pela selecção um tal Don Artur De Jorge. Uma boa parelha para fazer aquilo que não vou dizer aqui.
    Verdade das verdades é que não merecemos mais num país onde uns tais Isaltinos, uns Bingos, uns Valentins e tantos outros fazem o que querem e a justiça nunca os condena efectivamente. Melhor do que isto só na Somália!
    FIFI | 14.07.2010 | 09.04Hdenunciar comentário
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