A marca dos campeões
Iker Casillas é unanimemente considerado como o melhor guarda-redes da actualidade. Com apenas 16 anos, deixou Móstoles (uma povoação dos subúrbios de Madrid), para suceder a Cañizares na titularidade da baliza do Real. Homem modesto, sem caprichos de estrela, apesar de ser, com Raul, um dos elementos mais carismáticos daquela constelação de astros e de vedetas.
Há pouco tempo um jornalista perguntou-lhe como se sentia sendo um “Galáctico”. Respondeu: “No soy Galáctico, soy de Móstoles”. Líder incontestado da selecção campeã do Mundo, não resistiu à comoção na hora da vitória. Nem à ternura quando, entrevistado pela sua namorada, protagonizou um dos momentos que marcará este Campeonato do Mundo.
Vicente Del Bosque nasceu em Salamanca. Jogou no Real Madrid que viria a treinar e onde se consagrou, nesta qualidade, bicampeão europeu de Clubes. Referência maior do futebol espanhol e europeu, “Don Vicente” assume-se, no entanto, como treinador antivedeta.
A voz tonitruante, o vasto bigode, o ar pesado, sisudo e reservado compõem a imagem do espanhol típico, tão bem retratada nas inolvidáveis caricaturas de Mingote. Educado, cortês, discreto, semeia respeito e consideração entre jogadores e colegas. “Es un caballero”. Assim o definem os espanhóis. Ou um treinador “à antiga”. Sem poses, nem sobranceria, nem assomos de infalibilidade.
Iker e Don Vicente transpiram simplicidade. Simplicidade e autenticidade. Não se transformaram em produto nem se coisificaram numa marca. Talvez por isso, ficamos com a sensação de que o seu choro, o seu riso e os seus impulsos de ternura são verdadeiros e não fabricados e preparados por agências de comunicação. É bom saber que ainda há gente assim no futebol.





2 comentários
Verdade das verdades é que não merecemos mais num país onde uns tais Isaltinos, uns Bingos, uns Valentins e tantos outros fazem o que querem e a justiça nunca os condena efectivamente. Melhor do que isto só na Somália!