Metódo socrático
Vivemos estranhos tempos políticos. A regra parece ser a desorientação e contradição. O Governo a cada passo corrige decididamente aquilo que fizera dias antes.
A cada momento surge um ministro a contradizer com firmeza o que ele próprio afirmara. As obras públicas são para manter a todo o custo e para adiar indefinidamente, conforme o dia. Com ou sem portagens, conforme a semana.
Os impostos passam de estáveis a crescentes de uma hora para a outra. As reformas decisivas na Saúde, Educação e Justiça já foram tudo e o seu contrário.
Este espectáculo grotesco, que alguns atribuem à crise internacional, parece incomparável, mesmo na triste história da multissecular democracia portuguesa. Tem, no entanto, um paralelo evidente no passado: a actuação do último primeiro-ministro socialista, José Sócrates.
Vale a pena lembrar que em 2005 o PS ganhou a primeira e única maioria absoluta sob a promessa solene de não aumentar impostos. Muitos avisaram então que tal seria impossível dada a situação, mas foram desprezados perante a firmeza do líder.
Logo que chegou ao poder, surpreendido pelo que toda a gente sabia, o Governo descobriu que tinha de subir impostos. Decidiu então faltar à palavra dada, criando uma magna encenação.
A comissão presidida pelo governador do Banco de Portugal respondeu a uma pergunta impossível: qual o défice se Governo nada fizer o resto do ano (a posse fora em Março!). Horrorizado com esse número artificial pode dar o dito por não dito.
O que hoje assistimos é apenas o paroxismo deste método socrático.





17 comentários
Admiro-me César das Neves não ser um homem temente às erosões da História. Qual Método Socrático, qual carapuça. Abaixo o capitalismo e viva a República porque o Povo é o construtor da História, segundo Hermano Saraiva.
E também já não existe o escudo, para desvalorizar, e que saiba repressão, por repressão a nada leva.Portanto de Salazar para mim chegou.
Milagres, que saiba nem em fátima, que me perdoem aqueles que se sentiram ofendidos, mas para mim milagre é um homem ficar sem um dedo e ele voltar a crescer.Isso em certas raças de animais acontece.
Toda a gente sabe que a inversão da política não foi de Sócrates, nem por outro exemplo semelhante e recente de Obama. Os G20 por um lado, e no que respeita a Portugal a Alemanha dentro da UE, impuseram um rumo global que fez girar em 180º a bússula que tinha sido oreintado todos desde a calamidade finaceira em 2008. O novo rumo, ao contrário do primeiro rumo, é parar os estímulos e avançar para uma austeridade recessiva. A decisão foi do G20 depois de nos ter sido imposta pela UE (Alemanha).
Sócrates e outros tiveram de ceder, não tinham grande remédio sem sofrermos as penalizações ameaçadas.
Voltando à palavra resumo, relembro que escamotear esta verdade e fazer crer que o Governo cá, (e nesse caso também Obama que seguiu o mesmo caminho) são uns tontos não sei se será má fé, mas da muito boa é que não será, suspeito eu e deixo à consideração.
Um dia destes acordamos sem dinheiro, sem crédito nas instâncias internacionais e aí o homem voltará a convencer os incautos dizendo que a culpa é das agências de rating, do FMI, dos facistas, dos comunistas e sobretudo daqueles que há muito vão, com conhecimento dos factos, alertando para a situação, e a quem chamam catastrofistas. Mais uma vez, ele sairá triunfante com um discurso demagógico que convencendo todos aqueles que não tenham capacidade de pensarem pela sua própria cabeça. E infelizmente ainda são muitos.
Não era o Hitler que convencia multidões mesmo quando Berlim já ardia?
Vejam lá se ligam o corrector de texto ...
Já não basta ter que aturar estas crónicas de "malta" que até foi conselheira de governos causadores de déficits ...