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OPINIÃO

O mosquito do Nilo

27 | 07 | 2010   22.01H
José Luís Seixas

As férias. Finalmente. As estradas repletas de povo em movimento. Indiferente às portagens e ao preço dos combustíveis, a fila de carros serpenteia a majestosa rede viária nacional.

Para norte e, essencialmente, para sul, em busca de um Algarve sobrelotado. Há gostos para tudo. E muitos são os que gostam de disputar estoicamente um pedaço de areia e uma minúscula superfície de oceano, apenas a suficiente para um mergulho por entre magotes de banhistas que discutem a crise com água pelo baixo ventre.

A canícula pede umas cervejas e a maresia reclama umas sandes consumidas umas e outras com avidez e vigor. E quando o sol esmorece o enxame humano reencontra-se no lento peregrinar do final de jornada, onde esse odor agridoce de suor, sal e protector solar se mistura no ar e atordoa o perigoso mosquito do

Nilo, que sucumbe redondo antes de atingir as epidermes curtidas e temperadas. Depois, a noite. Uns de camisola de alças, calções e chinelos passeiam-se à beira-mar após um jantar abreviado; outros, de vestuário mais composto, preenchem restaurantes de moda a preços exorbitantes, vendo-se uns aos outros, porque, ao cabo e ao resto, lá vão precisamente para serem vistos.

Estes, resplandecentes no seu bronzeado de muito unto, ostentando cabelos emplastrados de gel, descapotáveis e outros adereços de exibição externa, substituem o palito pelo charuto e o dinheiro vivo pelo cartão de crédito. Uns e outros constituem esses dois países assimétricos que nem o mar consegue fazer confluir.

Mas, ao contrário do que pensam, têm muito em comum. A vontade frenética de viver tudo num só dia com medo do futuro, a alegria histriónica que esconde espíritos conformados, descrentes e temerosos, a fanfarronice com que se disfarçam as debilidades e fraquezas que se conhecem. Enfim, o ser português hoje. Porque, felizmente, nem sempre fomos assim. E nem sempre seremos assim. Boas férias.

© Destak

7 comentários

  • Venha de algures paciência para comentar tanta asneira
    "minúscula superfíce dd oceano"? (esta é de cátedra!); canícula e cerveja? (que elegância!) ; a Noite! (qual a sua ou a dos que não conhece?)
    Final de jornada era, noutro tempo, final de um dia de trabalho (quase sempre ao serviço de outrem).
    Deixe lá 8por agora) o mosquito do Nilo e respeite o unto (sabeo que é na tradição deste país?), e se se preocupa, efectivamente´, com o que pode vir a acontecer com o mosquito/ vírus do Nilo, comece a escrever em linguagem que se perceba. É que sabe? A litercia vai muito para lá do que parece considerar! Analfabeto funcional é, também, não saber isso!!!
    Maria Ferreira | 13.08.2010 | 16.36Hver comentário denunciado
  • Não entendi nada! Fomos? Somos? Seremos? Portugueses? Esses colectivos existem? Tu não me mintas Zé Luís, filho, eu não mereço!
    WebDot | 04.08.2010 | 12.11Hdenunciar comentário
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  • Ai como 15 dias de férias enganam a vida e a transforma em: Alice no País das Maravilhas...enganando e encalacrando o ano inteiro.....! Boas férias e não deixem que o Mosquito vos ataque demais...!
    Isabel Maria Fernandes Homem | 01.08.2010 | 14.30Hdenunciar comentário
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  • Ena pá, tanto mosquito por aí ! A mim, mais me parecem melgas que nos sugam o sangue todo. Será que ninguém cria um antídoto para esta mosquitagem!? Não antevejo como, considerando que a tarefa é hercúlea e a vontade de o fazer é nula. Acho que a melhor forma de abater essa bicharada ainda continua a ser à vassourada. Vamos a eles, pessoal !
    LILA | 29.07.2010 | 10.41Hdenunciar comentário
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  • Mas qual mosquito do nilo, qual carapuça !
    A verdade é andamos mordidos pela tsé-tsé há 36 anos . . . !
    alexandre barreira | 28.07.2010 | 12.26Hdenunciar comentário
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  • Zé Luís: não se esqueça do repelente!
    anónimo | 28.07.2010 | 12.12Hdenunciar comentário
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  • As férias, finalmente! Não entendi o porquê deste título. No entanto, fiquei a saber que essa mistura química de produtos e odores corporais funcionam como repelentes do mosquito do Nilo. Que pena tenho que esse mosquito não invada S. Bento e Belém já em Setembro, depois de se veranear por essas estradas e praias do país. E, sobretudo, agora que tem um "portolivre" fica com o caminho aberto para outros cometimentos. Em alternativa, poderá esfumar-se ou ir-se embora para as tais off-shores onde abundam corações e rins de cadáveres. Ainda bem que o povo esquece tudo isso com uns quantos raios de sol, umas banhocas no mar ou uns jantares faustosos em restaurantes de luxo, ainda que pagos com cartões de plástico. Como sabemos, o plástico é o presente e o futuro. Daí a chegada do "plasticman" que substituirá esta mão-de-obra barata com que se deleitam a sanguessugas do poder económico. Caro Zé Luís, deixe o povo em paz e que se divirta porque os dias de glória são tão poucos e tão curtos! Em alternativa, aconselho-o a combater esses outros mosquitos que nos picam e atormentam diariamente e para os quais não temos qualquer antídoto que não seja o tal veneno da "dita dura". Portugueses, aproveitem a vida porque ela é curta. Vão de férias para onde vos aprouver e gastem os vossos míseros cêntimos porque o que eles têm é inveja e querem o povo humilde e triste. Viva a folia!
    FIFI | 28.07.2010 | 09.06Hver comentário denunciado
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