11 mil crianças ainda vivem em instituições
É impossível imaginar a ansiedade e a tensão que hoje se vai viver naquele tribunal. Arguidos e vítimas vão revoltar-se contra o relatório frio de uma realidade que não confirmam, perder-se no jargão técnico, ouvir falar de si próprios como se fossem outros, procurar em cada palavra que escutam adivinhar o veredicto, obrigados a entregar a sua verdade e a sua vida nas mãos de um terceiro, juízes a quem a sociedade deu o poder de ilibar ou condenar.
E no final, quando os nervos estiverem em franja, e o coração não aguentar mais uma batida, suspeito que a decisão não servirá para tranquilizar nem uns, nem outros. Já é essa a miséria da justiça humana, incapaz de reparar verdadeiramente a dor que a injustiça causa, quanto mais quando é tão lenta e conturbada como a deste processo.
Ninguém quer culpados à força, nem condenar inocentes, mas se há dúvidas sobre a culpa destes arguidos, não há nenhuma (eu pelo menos não tenho) de que aquelas crianças foram vítimas de abuso.
Abusadas sexualmente por adultos, usadas como objectos descartáveis, a largar depois num jardim qualquer, perante a passividade de uma instituição que sendo do Estado, nos representa a todos. Somos nós, afinal, que estamos também ali em julgamento, nós que tantas vezes preferimos dividir as crianças entre as nossas e «as outras», que compactuamos com a permanência em instituições de mais de 11 mil crianças.
Hoje, oito anos depois da “bomba” da Casa Pia, de jurarmos que tudo ia mudar. Para muita gente é mais fácil pensar que mentem do que imaginar o horror de uma vida de abuso.
Talvez por isso lhes chamem matulões ou prostitutos, fingindo que não sabem que foram um dia crianças e que se prostituíram porque a “escola” onde andaram não lhes deu outra opção vocacional. Espero que todas elas tenham encontrado a paz possível noutro lado, porque tenho a certeza absoluta de que naquela sala ela não vai estar.





5 comentários
Ciência»» "Líderes religiosos criticam Hawking por dizer que Deus não terá criado o Universo" Por ser um assunto "Melindroso" para poder ser tratado como um simples comendatário. Eu remeto-os para "O PARADOXO DE EPICURO". Façam a vossa reflexão, em vez de andar a agredir verbalmente. "Epicuro de Samos foi um filósofo grego do período helenístico. Seu pensamento foi muito difundido e numerosos centros epicuristas se desenvolveram na Jónia, no Egipto e, a partir do século I, em Roma, onde Lucrécio foi seu maior divulgador". Bem-haja
esta media de cerca de 11 mil crianças sao estabilisados? porquê?