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OPINIÃO

O herói morreu

05 | 09 | 2010   20.55H
João Malheiro

No dealbar do mágico 2000, corria Janeiro, a minha proposta teve anuência na Presidência da República. A 25 de Janeiro, Jorge Sampaio ofereceu um almoço no Palácio de Belém, comemorativo do aniversário de Eusébio. Dias antes, foi-me solicitado que fizesse os convites, circunstância que me cotejou um misto de responsabilidade e lisonja.

Apelei à participação e recebi imediato assentimento caloroso de Mário Wilson, José Torres, Artur Jorge, Humberto Coelho, António Oliveira, Carlos Queiroz, Vítor Damas, António Simões, Fernando Gomes, Hilário, Chalana, Artur Correia e Pedro Gomes. À chegada a Belém, a despeito do momento festivo, Oliveira advertiu-me para o empeço de cumprimentar um dos presentes com quem estava desavindo.

“Por favor, António, para zangas já chega a do Zé Torres com o Artur Jorge”, retorqui de pronto, recordando um episódio do Mundial de 86. “O Torres e o Artur estão zangados? Olha para trás de ti”. Aceitei o repto e vi o Torres e o Artur Jorge, braço dado, em amena cavaqueira. Que é que se tinha passado? O bom do Zé havia-se esquecido de que estava de relações cortadas com o Artur. A ocorrência, saudada por todos, inclusive pelo próprio Artur Jorge, mais não era, paradoxalmente, do que a fase embrionária da doença que o viria a contundir de forma dramática.

Esta sexta-feira, manhã cedo, o telefone tocou. Francisco Torres, com quem falava amiúde, amarrotou-me o dia. “O pai faleceu há 15 minutos”. Não morreu de morte heróica? Que importa? Ele foi, anos consecutivos, um dos meus heróis predilectos.

No Benfica e na Selecção Nacional. O Zé Torres, consoladoramente, só em parte se despediu. Fica no céu da bola.

© Destak
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