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As viagens de comboio como terapia anti-stress

24 | 01 | 2008   09.02H
Isabel Stilwell | editorial@destak.pt

Gosto mesmo de comboios. São o único meio de transporte anti-stress, desde, claro, que não haja nenhum imprevisto, nem estejam apinhados até à porta. Ir de comboio para o Porto, ou voltar de lá confortavelmente instalado, sabendo que as três horas que se seguem são só nossas, é o maior dos privilégios. É como se colocassem a nossa vida entre aspas, e durante aquele espaço fossemos autorizados à ousadia de olhar para fora da janela, como se por uns momentos fossemos dispensados de prestar atenção aos outros, e até de por em ordem os papéis, que por vício pousámos em cima da mesa, mas não queremos ler. Ainda por cima a rede de telemóvel é má, o que nos permite largar, sem problemas de consciência de maior, a nossa eterna trela virtual.

Mas se quer trabalhar, também pode, porque os comboios mais rápidos e modernos têm tomadas eléctricas que tornam possível ligar o computador e trabalhar,. Mas opte antes pela opção de um um pequeno-almoço trazido ao lugar, que lhe dá a ligeira impressão (mais do que isso também é lisonja) de ter embarcado no Expresso do Oriente. Pensando bem, talvez até se conseguisse que a Segurança Social comparticipasse umas viagens numas linhas românticas, como terapia anti-depressão ou anti-stress.

Mas se falamos de comboios, temos que falar de aviões. E a situação ai roça o escândalo. Os preços dos voos Lisboa-Porto custam cerca de 300 euros, ida e volta, por um percurso que em meios alternativos se faz em menos de três horas e por mais de metade do preço. Apesar das aparências, nem sequer tem grande justificação em termos de tempo, porque somados check-ins, passagens em «postos de controle», e minutos gastos em carrinhas, e o taxi depois para o centro da cidade, provavelmente não compensa. Isto se não apanhar um voo internacional que obrigue a ficar na fila para mostrar o BI, dando razão a quem defende que as duas cidades pertencem a dois países! Ninguém inventa uns low-cost, a bem da produtividade nacional?

© Destak

4 comentários

  • Estranho os consultores e "fazedores de opinião" deste país, na sua maioria estrangeiros, só agora terem sido capazes de chegar aos calcanhares do pensamento que já existia no tempo do antigo regime de que a ferrovia era um recurso fundamental para o desenvolvimento de um país moderno. Boa! Por este andar, daqui a 100 anos entenderão o que queria dizer "democracia" para Platão, e daqui a 1000 anos entenderão, finalmente, o que Einstein queria dizer com "relatividade". Boa!
    TRAIN | 26.01.2008 | 15.48H
  • Um artigo de muito bom gosto e visionário.
    Parabéns!
    O Antonio Maria | 25.01.2008 | 11.39H
  • GOSTO DO CHEIRO DOS
    PASSAGEIROS DA AUTOMOTORA

    Cara Dr.ª Isabel não sei, se por acaso, já fez a viagem
    de comboio do Crato ao Entroncamento?
    Pode crer que é uma aventura fascinante; desde os
    passageiros que descalçam os sapatos aos que ressonam
    como estivessem a ver um filme sem interesse.
    A estação chamasse do Crato mas está situada num lugar
    deserto, longe da terra que lhe dá o nome; não tem bilheteira
    sendo os bilhetes comprados no comboio! A via é reduzida
    por isso obriga a uma marcha lenta e aos baloiços!
    Agora falemos do Stress: quase sempre este comboio anda
    atrasado mas quando chega a uma estação e tem de esperar
    por um comboio que o vai atrelar aí temos três quarto de hora
    para aliviar o Stress.
    Quanto mais perto do Entroncamento, parece um fenómeno, menos
    anda; olhamos para o relógio e sem Stress dizemos: “a continuar assim
    perdemos a ligação para norte”, visto este comboio ir para Sul!
    Sentia-me mesmo relaxado não fosse os dois tranquilizantes que tinha
    tomado .

    Zé Ernesto – Gaia
    http://zuluechopaparomio.blogspot.com
    POETÁRIO =
    Zé Ernesto -V. N. de Gaia | 24.01.2008 | 17.51H
  • Afinal, gosta de andar de combóio, ou até escolheria o avião se os preços fossem mais em conta? :) Lobbying?
    ;)YAP | 24.01.2008 | 11.03H
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