Em busca de vacinas contra a pobreza
São as boas ideias que nos podem salvar. O desafio do futuro não é despejar mais dinheiro em empresas e organizações que já provaram não servir, mas inventar outras, que apontem um novo caminho. Infelizmente, é quando mais precisamos de mudar, que menos vontade temos de o fazer, porque o conhecido, por muito mau que seja, parece-nos sempre mais confortável e seguro do que uma aventura de resultados imprevisíveis. Por isso é que é ainda mais importante que pessoas credíveis se juntem em redor de ideias novas com potencial, e mostrem o caminho.
Foi o que aconteceu com a invenção da Bolsa de Valores Sociais (BVS), uma ideia criada no Brasil, e que há um ano funciona em Portugal. ABVS obedece aos conceitos de uma Bolsa de Valores normal, com a diferença de que as empresas cotadas são organizações sociais criteriosamente seleccionadas. Or-ganizações que são apresentadas a “investidores sociais” (dadores) que, ao adquirirem “acções sociais” (através de donativos), passam a acompanhar o uso dos recursos financeiros doados através de relatórios de resultados e de impacto social. Com uma diferença: a totalidade da doação chega ao projecto cotado, porque a BVS não cobra comissões, sendo os custos operacionais suportados pela Euronext Lisbon, Fundação EDP, Fundação Gulbenkian (co-fundadora) e Caixa Geral de Depósitos (o banco oficial).
Para ser cotada, e já há 22 projectos que o são e 600 investidores, a organização apresenta uma proposta sólida, que se for validada entrará na plataforma da BVS (www.bvs.org), ficando acessível aos investidores. Mas ontem, a primeira Assembleia Geral de Investidores Sociais deixou claro que a BVS vai privilegiar aqueles que agem junto das causas e funcionam como laboratórios, em busca de “vacinas”. Vacinas que um dia possam integrar um “plano nacional de vacinação”, que liberte o país da pobreza e da exclusão, em lugar de apenas a remediar.






5 comentários
No Brasil o governo comprou os "pobres" para tal como cá atacar a classe média porque sabem muito bem que a classe média é esclarecida e sabem bem o que eles são!
Mas, se porventura, essas "vacinas" forem do "tipo" BPP e BPN, presumo que só a "anti-rábica" poderá surtir efeitos . . . !
Com o surto de "raiva" que por aí anda . . . !