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OPINIÃO

O jogo dos economistas

06 | 01 | 2011   20.25H
J.L. Pio Abreu

Depois de se meterem no buraco no início de uma crise que não souberam prever, eis que se levantam, de novo, os economistas de palco cheios de receitas para os nossos males. Não os suporto. A satisfação arrogante com que nos propõem o mais miserável destino e as mais contraditórias soluções, põe-me os cabelos em pé.

Senhores da fortuna e da desgraça, todos se armam em deuses, sabendo que são deuses menores porque tudo depende dos políticos que neles delegaram as responsabilidades. Mas que fazem eles, os economistas?

Nos negócios e empregos que têm, eles são os actores e os principais beneficiários do jogo económico. Nas Universidades, ditam as regras desse jogo. Nos Governos ou na influência que têm, eles apoderam-se também do campo de jogo onde, por suposto, jogam todos os cidadãos.

Usam palavras esotéricas, estrangeiradas, com que disfarçam os lances que executam. Nenhum deles aprendeu Matemática, e apenas lida com contas simplórias, feitas de percentagens, somas e subtracções, ao alcance de um computador ou de qualquer contabilista que conheça o significado das palavras. Mas é um jogo onde são jogadores, árbitros, donos do campo e ainda ditam as regras. Assim, qualquer um ganhava.

Todo o seu discurso, no fim de contas, se destina a ocultar uma verdade que, incluindo eles, todos conhecem: a única coisa que produz riqueza é o trabalho humano. A contabilidade serve apenas para a distribuir. E mal.

© Destak

21 comentários

  • Caro opinador Pio Abreu, na minha opinião, pelo que vejo e conheço, existem inúmeros estudantes e ex-estudantes que quiseram entrar num curso de economia e nunca o conseguiram, precisamente por causa da matemática. Quanto à economia enquanto ciência social e profissão, devo dizer-lhe que esta está ligada ao progresso da sociedade, pois todas as áreas do saber, desde as ciências naturais e a engenharia, até à governação e a política, têm a si subjacentes problemas económicos para os quais a ciência económica tem soluções e respostas adequadas. Não se pode gerir recursos escassos com base em ignorância e feelings, e ao perceber isso a sociedade em desenvolvimento criou através dos pioneiros Adam Smith e David Ricardo, maneiras de racionalizar esses problemas conscientemente com vista a melhorar o bem estar e a optimizar recursos. Hoje a economia que se ensina é amplamente fundamentada em modelos e métodos fortemente matemáticos que economistas e matemáticos aplicados (à economia) usam diariamente com sucesso. E continuarão a usar para ajudar tanto aqueles estudantes de economia que chegaram à respectiva faculdade, como os que nunca lá entraram e se dedicam, com maior ou menor sucesso e gosto, a outras actividades.
    João Castro | 13.01.2011 | 23.55Hdenunciar comentário
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  • Os imbecis das nossas paupérrimas faculdades de economia já cá estão a fazer a defesa da dama dos mercados de mafiosos, estando-se borrifando para a dignidade das pessoas e para um facto indesmentível: o de que é preferível gerar crescimento económico e riqueza PRIMEIRO, do que andar a soldo de chulos da finança. Bom artigo, caro Dr. Pio Abreu.
    Joel Ferreira | 11.01.2011 | 23.19Hdenunciar comentário
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  • Os comentários de PISS e PN são de um conteúdo fabuloso!!! e que dizer do seu sentido de humor!? Os dois são de facto a imagem de uma parte significativa da sociedade portuguesa e para a qual contribuem com a sua sabedoria e maneira de ser, mas mesmo assim sou como o Mourinho; Tenho muito orgulho em ser português. Disse !!!
    Manuel Tavares | 11.01.2011 | 17.26Hdenunciar comentário
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  • Deviamos era entregar a direcção de todas as instituições económico-financeiras, quer públicas quer privadas, ao pessoal do Júlio de Matos e do Sobral Cid.
    PIss | 10.01.2011 | 19.21Hdenunciar comentário
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  • Mais um artigo que nos faz pensar e reflectir na actuação de vários quadrantes ...
    Pobre da Economia quando a bolsa está vazia … tantas cabeças suas sentenças que em vez de elucidarem, confundem mais … e cada um com visão parcial …
    Eu não sou perita em Economia… mas sei que esta se pauta pelo conjunto de actividades de um País, desde a Agriculta, Industria até ás pescas… no entanto estas têm sofrido pelas politicas implementadas e não chegam para o consumo interno…a produção e o consumo de riquezas não estão equilibradas, bem como a redistribuição do rendimento … e tudo em catadupa se traduz em crise… a acção de trama social está subordinada perante os agentes económicos bem como a actuação económica do mercado e mercados, porque não somos auto-suficientes…os métodos aplicados não coincidem … a teoria não corresponde à realidade dos modelos económicos …
    Posso verificar simplesmente que a globalização tem dados os seus frutos de forma negativa e o declínio da Europa e do mundo face ao Ser Humano em si… Um país, uma Europa sem soluções para a calamidade do desemprego … Uma coisa é certa só nós temos uma máquina que é o Nosso cérebro, só ele inventa, descobre e faz evoluir o Mundo ... quando é que pensam que o ser Humano não é apenas uma estatística ... sabe pensar, tem estratégias inteligentes, resolver novos problemas.Quando é que se decidem explorar a potencialidade e valorizam mais os cérebros e as pessoas ...
    Marluz | 10.01.2011 | 14.20Hdenunciar comentário
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  • Respondendo ao AINDA HÁ DISTO: pelo menos sei do que falo, por formação e profissão, ao contrário da legião de ignorantes, da qual V.Exa. faz parte, que aqui fazem vénias ao ignorante doutor.
    PN | 10.01.2011 | 06.55Hver comentário denunciado
  • Concordo caro Pio.
    Esses arautos da desgraça não acertam uma . Marionetas dos jogos político-financeiros dão palpites atrás de palpites para enganar o povo e acabam por deitar a culpa das catástrofes a quem???... ao povo, claro, pois este é que é o gastador, o sem freio, sem juízo, etc, etc, etc...
    pedro lindo | 09.01.2011 | 23.19Hdenunciar comentário
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  • Parabéns PN, você, pelo contrário, demonstra aqui ser uma sumidade em vários assuntos.
    AINDA HÁ DISTO? | 09.01.2011 | 19.43Hdenunciar comentário
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  • J.L.Pio Abreu até pode perceber de psiquiatria (o que a julgar por certos artigos de opinião até disso nos faz duvidar), mas este seu artigo demonstra nada saber de economia e muito menos da matemática que os economistas têm de aprender. Mais um exemplo de lixo que passa por opinião de um esclarecido.
    PN | 09.01.2011 | 15.15Hver comentário denunciado
  • Ao estilo de "O Rei vai nú", este artigo acerta na mouche: a preparação dos Economistas em assuntos financeiros é Muito Fraca! Porquê? Porque há que encher os bancos das faculdades e isso faz-se com pouco desemprego e....pouca Matemática! Pior: a optar entre as duas coisas...bem o Emprego ainda se safa com a política, agora a Matemática é que não me obriguem a fazer!
    A história é antiga, quando a guerra do Vietnam obrigou ao corte dos fundos à Nasa, os Físicos e Matemáticos desempregados ("Rocket Scientists") foram absorvidos por Wall Street, pois mais ninguém tinha preparação para entender os modelos financeiros. Agora imaginem 30 anos depois, hoje a dimensão financeira da Economia é brutal, os modelos são complexos. Os Economistas limitam-se a USAR os Modelos, mas não os compreendendo matematicamente ignoram as suas limitações (não quero insultar ninguém, mas é muito raro encontrar algum Economista que conheça, por exemplo, os pressupostos e limitações do modelo de Black-Scholes e sem isto é impossível compreender qualquer formação de preços no mundo actual-incluindo as Obrigações de que todos falam). É daí que vêm uma certa arrogância política (defesa). O perigo disto tudo são as decisões políticas baseadas em Dogmas, os mesmos que conduziram à Catástrofe após a Grande Depressão: temos novamente maniqueísmos «Adam Smith versus Karl Marx» em grande força no debate político. Interessante terem falado do Nuno Crato. Claro que ele sabe Matemática, ora não fosse um dos mais citados Matemáticos portugueses, ainda por cima premiado pelo trabalho de divulgação. Só não entendo como é que alguém assim aceita um cargo político. Mas depois vejo-me a pensar: ora se houvesse muitos assim no Governo, que bem que estaríamos agora!
    K. | 09.01.2011 | 01.03Hdenunciar comentário
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  • Parece-me que o problema não é dos economistas mas de alguns emergentes como jornalistas e comentadores de economia que pouco percebem da coisa mas cuja estratégia de afirmação pessoal e caça ao tacho passa por dizerem mal dos políticos ou do governo, como faz um tal avô cantigas, ou outras vedetas que se reformaram recentemente, pensam conseguir um tacho em próxima legislatura ou ir dirigir um jornal de economia do grupo empresarial que lhe encomenda o serviço.
    O tal Crato nem precisou da mudança de legislatura para se "abetoar" com um bom tacho no papel de gestor, ele que nesse particular tem um currículo formidável e chegou ao tacho através de "concurso público" à moda de jornalistas e outros investidores, quer dizer: "é prós amigos", e depois os outros é que não são licenciados, são corruptos e conspiram contra o regime.
    É fartar, é fartar ...
    Manuel Tavares | 08.01.2011 | 23.13Hver comentário denunciado
  • O Nuno Crato é formado em economia e doutorado em, adivinhem? Psiquiatria? Não. Matemática. Será ele um analfabeto matemático? Será ele um demagogo repugnante? O Yannus, Nobel da Paz, professor de economia, fomentador do microcrédito e fundador do Banco Grameen também é um economista vil? Não tomem a parte pelo todo, sejam inteligentes. Há maus e bons homens e mulheres, há gente com boas, más ou nenhumas ideias, em todos os países e ocupações. Não generalizem tanto.
    Sara Alves | 08.01.2011 | 18.08Hdenunciar comentário
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  • Doutor, estamos de acordo. Também nao suporto esses economistas de merda. Qualquer iletrado chegará a melhores conclusoes que esses. Diria mais / sao uma corja ou, se preferirmos, uns salteadores da acarca perdida mas que nunca a encontram.
    Fifi | 08.01.2011 | 12.16Hdenunciar comentário
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  • È preciso dizer primeiro que não percebo de economia, mas penso que o problema da nossa sociedade, globalmente falando,é o sistema de especulação financeira desenfreada no qual se enquadram os economistas, claro...
    maria silva | 08.01.2011 | 12.09Hdenunciar comentário
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  • Pio Abreu, você tem razão quando diz que a dita ciência económica falhou muitas vezes, foi inútil, replicou erros e injustiças, é mal fundamentada, incoerente e de aplicação duvidosa. Está certo. Mas é incompreensível a sua afirmação sobre o pouco conhecimento matemático de quem é admitido e estuda economia numa faculdade. Então quem tem mais bases a matemática, é um historiador, um jurista, um filósofo, um psicologo, ou será um economista? Fui estudante de economia como primeira opção universitária e tive de realizar exames de matemática. Na faculdade quase todas as cadeiras de economia têm uma forte componente matemática (álgebra, cálculo, estatística, etc.). Parece que vossa excelência tem algum caso mal resolvido, um azedume, com um economista e algum argumento relativo à sua preparação matemática de base.
    JM | 07.01.2011 | 22.30Hdenunciar comentário
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  • Boa malha, caro Pio Abreu! Já para aqui há alguns a cambalear :). Isso quer dizer que o tiro foi certeiro. Parabéns!
    BOA PONTARIA | 07.01.2011 | 12.19Hdenunciar comentário
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  • Olhó pessoal todo amofinado! Ele há mesmo verdades que custa ouvir ... a matemática da economia não é nem 50% da dada em qualquer engenharia ...
    E se 98% do dinheiro é transacionado em transações financeiras, só 2% são mercadoria real e repressentam trabalho efectivo. Querem continuar a acreditar neles? Força!
    alfa | 07.01.2011 | 10.28Hdenunciar comentário
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  • As opiniões são livres e cada qual tem direito à sua. O mesmo se passa com os fantasmas pessoais. Se este JLPA que aqui zurze nos economistas é o mesmo que opina sobre assuntos económicos quando lhe apraz, como se os dominasse, será com certeza melhor explicado pela psicologia do que pela economia. Agora, que um bom moço formado em psiquiatria, considere que a matemática dos economistas é curta, demonstra doses simultaneamente elevadas de jactância e de ignorância. Senhor JLPA, olhe que a economia vai um pouco para lá da «introdução à economia” de João César das Neves que você tem na mesinha de cabeceira.
    Nuno Silva | 07.01.2011 | 09.50Hver comentário denunciado
  • E o médico dos malucos falou... Ridículo. Vá arranjar um emprego a sério.
    CC | 07.01.2011 | 09.30Hver comentário denunciado
  • Muito bem, senhor Pio Abreu. Sabe que ao ler o título deste seu artigo automaticamente pensei dizer-lhe: esqueça os economistas, porque a economia, como aspirante a ciência, ardeu. Foi incendiada pelos próprios economistas por tanto esforço em querer impingi-la às sociedades. Alunos, fujam desses cursos!!! Em vez disso aprendam a ser óptimos contabilistas. Mas não nos foquemos somente na figura do economista, pois o verdadeiro monstro habita num patamar acima. Chama-se: "financeiro". É a esses que se tornou urgente os cidadãos começarem a cortar as unhas.
    URGE | 07.01.2011 | 08.53Hdenunciar comentário
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  • Meu caro JLPA . . . !
    O "balancete" até não está mau . . . !
    Agora, o "deve" e "haver", é que está uma desgraça . . . !
    alexandre barreira | 07.01.2011 | 08.07Hdenunciar comentário
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