OPINIÃO
Os maus da fita
08 | 02 | 2011 19.57H
Em Portugal anatematizou-se a Administração como responsável pela ruína económica. Laborou-se um discurso que antolha em cada funcionário público um incompetente e parasita. No entanto, há pouco mais de duas décadas o País era servido por um aparelho administrativo reconhecidamente capaz que constituiu o esteio do funcionamento do Estado. Assim foi em momentos tão sensíveis como a Revolução, o PREC, os alvores da democracia parlamentar, as grandes crises económicas. A hierarquia da função pública era preenchida por um escol notável de dirigentes que dominavam como ninguém as matérias dos pelouros respectivos. As carreiras construíam-se internamente, as promoções alcançavam-se por concurso, nomeações para altos cargos recrutavam-se nos Serviços. Ainda nos últimos tempos de Cavaco, Sousa Franco preparou a reforma da Administração. Chegou Guterres que, como habitualmente, prometeu o que não cumpriu. “No more jobs for the boys” ecoou como estribilho eleitoral e foi o antónimo do que sucederia. As remunerações dispararam e seduziram grupos de jovens esfaimados que se venderam aos partidos do poder. Para maquilharem a sua impreparação socorreram-se das consultadorias externas escolhidas de acordo com os interesses passados, presentes e futuros dos adventícios hierarcas contratantes. Os funcionários de carreira viram as suas progressões amputadas. E aí está a história obscena da transfiguração de uma Administração competente num monstro de interesses e compadrios que se transformou num sério engulho para o País. Os partidos ou percebem que o regabofe terá de acabar ou as “ruas árabes” crescerão exponencialmente.





8 comentários
Entao mas agora na administraçao Publica fazem troca de papeis entre Ministerios naquilo que e conhecido por trafico de influencias???Fazem sim e eu provo...
A parte final . . . !
"Ruas Árabes" . . . !
Está um "mimo" . . . !
Mas o que me está a fazer "espécie" . . . !
São os "camelos" . . . !
Quem não sabe como era o acesso e o funcionamento da administração pública antes do 25 de Abril? E depois como foi a colocação de homens de mão por parte do PCP em tudo o que era ponto importante de controlo da sociedade como foi o caso da RTP, jornais e função pública. Depois a colocação dos retornados foi "feita à maneira" de tal modo que ainda hoje os retornados têm hoje uma presença significativa no topo da administração do estado. Depois Soares foi o grande empregador quando a sociedade civil não era capaz de criar empregos. A seguir Cavaco tomou o poder com uma voracidade inaudita. Por exemplo na educação só podiam ser directores de escolas se tivessem formação específica mas essa formação era feita em Escolas dominadas pelo PSD que só aceitava para essa formação os candidatos que tivessem cartão laranja. Outro exemplo elucidativo aconteceu na justiça e basta comprovar com as atitudes de sindicalistas de juizes e procuradores.
Guterres mais não fez do que dizer que não cria seguir o exemplo de Cavaco que tinha tomado conta da sociedade com os cavaquinhos, monizes e raimundinhos.
Querer limpar esse passado nojento é quererem amputar-nos da nossa memória. Este comentador parece que foi dos que, como outros que aquí comentam, se "abetoaram" bem no tempo da cavaquice.
E para aqueles que têm as chamadas reformas douradas (que são os mesmos), convém explicar que a CGA e a SS não são um esquema em pirâmide ou em "bola": quem pôs lá 80 não pode receber 8000 ...
Um dia se houver barraca, eu quero ver quem é que pode ser responsabilizado por isso.