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OPINIÃO

Por falar em todos os outros

14 | 02 | 2011   22.07H
Luisa Castel-Branco

Fala-se dos velhos, porque as notícias assim o determinam. Fala-se dos novos pela mesma razão. Mas são apenas momentos marcados pela agenda mediática. Entre uma geração desesperada por não ter trabalho ou viver na precariedade dos recibos verdes, e os que morrem sem que ninguém dê por falta deles, sobram todos os outros.

E esses outros somos nós. Demasiadamente novos para sermos velhos, ou idosos que é mais bonito, demasiadamente velhos para sermos jovens. Vivemos num limbo, no temor de sermos dispensáveis, ou demasiadamente qualificados quando, de repente, ao fim de 20 anos de trabalho estamos no desemprego. Já não nos revemos em canções, não temos tempo para sonhar.

Temos filhos em casa que há muito deveriam ter construído o seu próprio lar, temos os nossos pais a precisarem do nosso apoio, temos netos que gostariam de ter um dia a imagem de uma avó que tivesse tempo para eles.

A sociedade parece ter ficado dividida entre os ricos, aqueles que vivem uma realidade que apenas podemos imaginar, e os que vivem na miséria total. E onde cabemos nós? Todos nós que esticamos o dinheiro e ele que não chega, que tentamos poupar e não conseguimos, que tentamos sorrir mas já não nos recordamos como era? Olhamos as notícias sobre os velhos que morrem ao abandono e pensamos: como vão cuidar de nós os filhos que com 30 anos ainda não conseguem cuidar deles? Estar vivo é sobreviver ao desalento disto tudo.

© Destak

11 comentários

  • Cara Luisa Castelo Branco:
    Gostei do texto e do seu significado. Mas ....A sociedade parece ter ficado dividida entre os ricos, aqueles que vivem uma realidade que apenas podemos imaginar, e os que vivem na miséria total. E onde cabemos nós? Todos nós que esticamos o dinheiro e ele que não chega...? Não me parece que este seja o seu lado.. ALIAS É UM POUCO ABSURDO VINDO DA SUA PARTE, sendo uma pessoa que vive bem.
    ANONIMO | 25.02.2011 | 01.35Hdenunciar comentário
    Tem a certeza que pretende denunciar este comentário? sim não
  • Se a sua colega Stilwell tivesse seguido o seu exemplo talvez não tivesse tido a quantidade de comentários que teve. Cara Luisa não sei se a parabenize se a chame parva por não ceder ao populismo ofensivo da sua editora. Trouxe um problema real, deu uma perspectiva da questão, e, mesmo que seja algo que se comente, trá-lo para um espaço de discussão mais ou menos público sensibilizando quem para isso não esteja sensibilizado. Mas continuo sem saber se a parabenize... o insulto era tão mais simples e imediato..!
    João Fardilha | 24.02.2011 | 14.22Hdenunciar comentário
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  • Sinceramente, não vejo diferença nenhuma entre oa vários comentários que aqui tem feito, e com aqueles que todos os dias se ouve nos transportes públicos ou nos cafés. Não sei onde para o mérito de tal escrita, partindo de alguém com mais responsabilidade do que isto. Gostava sim era de a ver denunciar tudo aquilo que nos leva a situações como esta. No lugar previlegiado que tem sobre muito do que é noticia e informação, penso que o seu dever seria outro bem mais importante, INFORMAR
    Rui | 17.02.2011 | 10.17Hdenunciar comentário
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  • Luisa: mais uma vez venho corroborar tudo quanto escreveu nesta crónica. Por muito que queiram negar, tudo o que diz é a pura realidade. Eu próprio sou vítima do sistema, pois perdi bens no valor de cerca de 5 milhões de euros. Hoje vivo de uma pensão abaixo salário mínimo e embora tenha uma família que já em bisnetos, vejo-os cada vez mais distantes com o risco de ficar só na companhia da minha mulher. Continue a escrever, pois tem muita gente que está consigo. Bem haja. R.S.
    R.S. | 16.02.2011 | 11.34Hdenunciar comentário
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  • Cara Isabel, repito-lhe o mesmo de sempre; não seja tão dramática, tão pessimista.
    Veja o mundo com outros olhos, não veja só os inúmeros casos que tendem a derrotar-nos mas sim os que nos podem dar força e alento, seja optimista.
    Todas as moedas têm duas faces, não olhe só para uma. Sorria e não perca a vontade de rir senão não vive, vegeta, e vegeta esperando a morte e isso não é viver.
    Quer uma boa noticia? As mulheres portuguesas são das mais satisfeitas sexualmente a nível mundial. Isso é bom, quer disser que nós os homens estamos imunes à crise, ou que sabemos enfrentá-la, "descarregamos" as tensões em cima de vocês.
    Faça o mesmo.
    pedro lindo | 15.02.2011 | 18.50Hdenunciar comentário
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  • Há anos e anos que há velhos a morrer sós em casa.
    Há anos e anos que há jovens em trabalhos precários completamente desadequados da sua formação.
    Mas graças aos telejornais e às Deolindas agora já acordámos para estas realidades.
    Fantástico!
    alfa | 15.02.2011 | 17.00Hdenunciar comentário
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  • Se a crise … é a alteração do equilíbrio económico dito dinâmico que existe internamente e externamente … lógico que esta implica e ameaça os interesses fundamentais de todos … se envolve um país e numa economia no global … então consequência equivalente à perturbação importante de uma sociedade dita organizada … apesar de muitas vezes a parte sociológica não obter uma resposta cabal dita … adequada para resolver os elementos mais básicos … mexendo directamente com os procedimentos que devemos ter …valores éticos morais … e as relações estabelecidas entre o poder económico e a sociedade … que certamente sofre um efeito refractário … minando praticamente todo o sistema … originando em catadupa crises económicas … financeiras … politicas … Educacionais … morais… éticas e sociais … Tudo está interligado logo umas dão origem ás outras … surtindo um efeito hierarquizado desde o topo até à base … mas a base é sempre a mais atingida... e acontecem injustiças...injustiças que atingem todos, jovens, menos jovens, idosos…
    A boa instrução e o ensino vale mais que a riqueza...
    Estamos a colher o que foi mal semeado desde a agricultura hoje em dias só consumimos produtos da “Estranja”, pescas, o ensino fazendo uma retrospectiva ao longo destes anos... posso verificar que o ensino em Portugal proliferou muito mas sem respeitar as exigências científicas, pedagógicas e do mercado de trabalho essenciais a vários níveis...
    Temos gerações dos 20 aos 40 sem receber e sem ter uma oportunidade que não existe face ao mercado de trabalho… É algo trágico …
    A sociedade tem que parar, reflectir e agir não só olhar para o seu próprio umbigo ...
    Marluz | 15.02.2011 | 13.40Hdenunciar comentário
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  • aqueles que não são velhos nem novos, são os que pusseram este País no estado em que está.
    E se esta geração dos "nem nem", ou "geração rasca" não sabe cuidar de si mesma, talvez deva à sua educação...
    Duka | 15.02.2011 | 12.04Hdenunciar comentário
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  • Não vou negar que há situações complicadas na nossa sociedade. No entanto, elas não são como as pintam. Apesar de tudo, temos um estado previdente que vai funcionando. Quem negar isto, nega uma evidência. Quanto aos desempregados, a maioria deles não quer trabalhar. Quanto aos filhos, idem, idem. Ficam na casa dos pais porque não querem enfrentar a vida nem foram educados para isso. No meu tempo saía-se de casa para viver num quarto reles, num apartamento sem mobiliário mínimo e andávamos a pé ou de transportes públicos. Hoje, os nossos filhos querem apartamentos novos e bem mobilados, carros e dinheirinho para gastar. Quanto aos velhinhos, uma grande parte vivem sós e abandonados por opção. Outros há que são objecto de total desinteresse e abandono das respectivas famílias. O mesmo poderíamos dizer dos sem-abrigo. Não tenho conhecimento de nenhum caso que a protecção social não tenha resolvido quando solicitada e as circunstâncias o imponham. Acontece que no meio de tudo isto gira muito dinheirinho e quase sempre os mais desfavorecidos são preteridos. Sabemos muito bem o que se passa com uma boa parte dos lares. Em suma, os filhos não cuidam dos pais porque não querem, inventando as mais diversas desculpas. Antes do estado, deveriam estar as famílias. Se assim fosse, as vagas nos lares sobravam, sobravam, sobravam... Enfim, temos a sociedade que nós próprios, mais velhos, ajudamos a criar.
    FIFI | 15.02.2011 | 08.22Hver comentário denunciado
  • Minha cara, Luisa . . . !
    Os meus sinceros parabéns . . . !
    Pode crer . . . !
    É a primeira vez que vejo um texto . . . !
    A descrever com precisão . . . !
    A nossa democracia . . . !
    alexandre barreira | 15.02.2011 | 07.49Hdenunciar comentário
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  • Por acaso, ontem, filha, comi um peixinho de rio frito, com açorda de ovas, que estava uma delícia. Mas acho que já estou velho para essas iguarias. Ficou-me a trabalhar no estômago.
    WebNot | 15.02.2011 | 07.31Hver comentário denunciado
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