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EDITORIAL

Divórcios deviam ter mediação obrigatória

20 | 02 | 2011   19.48H
Isabel Stilwell | editorial@destak.pt

Os pais continuam a ser o elo mais fraco nos divórcios, sobretudo nos litigiosos, em que ambas as partes não conseguem chegar a um acordo, e, pior do que isso, não cumprem o acordo estabelecido por um tribunal.

Por vezes, o conflito dos pais faz perder de vista a mais ténue sombra de razão, e os filhos que se alega querer proteger transformam-se em armas de arremesso e chantagem. E quando se dá por isso, temos filhos apenas da mãe, menos frequentemente, mas também, apenas filhos do pai, impedidos de continuar a crescer junto de avós, tios e família alargada.

A nova lei veio tentar implementar a guarda conjunta como regra, ou seja, a responsabilidade partilhada do poder paternal e não, como muitas vezes se pensa, tempos partilhados. Veio também agravar a pena sobre incumprimentos dos acordos, sejam eles de ‘visita’ (nome terrível para um pai ou mãe!!!) ou de ‘pensões’.

Apesar de estar feliz com a lei e com a avaliação que dela foi feita pelo Observatório Permanente da Justiça Portuguesa, a Associação Portuguesa para a Igualdade Parental e Direito dos Filhos veio relembrar os passos que ainda é preciso dar para que passe do papel à prática.

Para que o progenitor que tem a guarda da criança não feche a porta na cara do outro, sugerem mais rigor no cumprimento dos direitos de visita, na obrigação das escolas informarem das actividades escolares também aquele que não vive com o filho, para além de pedirem uma redução dos tempos efectivos das avaliações sociais e das perícias médico-legais (demora que pode servir para interditar o pai ‘suspeito’ de ver a criança).

Pedem mais formação às forças de autoridade para lidarem com situa-ções de conflito parental. Mas o seu pedido fundamental é o de tornar a mediação familiar obrigatória e de qualidade. Não vejo outra maneira de impedir que se instale uma espiral de conflito, que nem o amor aos filhos, pelos vistos, é capaz de quebrar.

© Destak

6 comentários

  • Concordo com a obrigatoriedade da mediação.
    Parece-m que o ritmo de vida actual é um perigo para a estabilidade e durabilidade da vida de casal e família.É fundamental alterar a form como os Governos (não ) investem no apoio`aos casais jovens e os ritmos de trabalho que são impostos aos jovens ( @s que o têm ) proibindo os horários descontrolados selvaticamente pelo patronato !
    Reinaldo Ferreira | 07.03.2011 | 12.22Hdenunciar comentário
    Tem a certeza que pretende denunciar este comentário? sim não
  • Peço desculpa, mas não estou de acordo que o elo mais fraco sejam os pais. E não concordo porque acho que o elo mais fraco são os filhos! Aqueles seres que toda a gente gosta de ter enquanto a vida vai bem e que quando a vida não vai tão bem assim, servem de arma de arremesso contra o outro progenitor (isto para não falar daqueles aos quais se viram costas e até se esquecem que eles existem! – se calhar para alguns até é melhor assim!).
    Não quero com isto dizer, que os pais não sofram ao esgrimirem entre si. Não! Nada disso. O que estou a dizer é que o egoísmo deles na luta é tão grande, ou o amor pelos filhos é tão pequeno, que não são capazes de virarem costas a uma luta ou uma provocação, em prol da estabilidade emocional e afectiva dos filhos, e do amor que lhes dizem ter.
    Não pensem que não sei do que falo, porque sei.
    (Já vi centenas de Regulações do Poder Paternal, tal como os divórcios que a elas deram origem. E o facto de +- 95% dos casais utilizarem os filhos como armas de arremesso, não significa que isso esteja certo.)
    A primeira vez (num Natal) que o meu marido (já separados), levou o meu filho de dois anos aos gritos para longe de mim, e me fez percorrer algumas centenas de quilómetros para o ir buscar ao fim de 3 dias, porque (a minha sogra, “não concordava com a atitude do filho, pois aquilo era desumano e o menino chorava dia e noite com saudades da mãe”), (naquele momento senti-me capaz de dar um tiro ao pai dos meus filhos!). Controlei-me, e nessa altura jurei que, acontecesse o que acontecesse, eu não iria permitir mais lágrimas nos olhos dos meus filhos!
    Assim, daí em diante, mordi os meus lábios muitas vezes, para que as minhas crianças pudessem continuar a sorrir, sentindo que o “suporte paternal” iria estar sempre lá, estável, mesmo com os pais separados. Respirei fundo muitas vezes, e cravei as unhas nas palmas das mãos vezes sem conta, sobretudo nos primeiros tempos de separação, que é o período mais difícil, enquanto dizia aos meus filhos que o pai deles era o melhor pai do mundo e que os adorava! (Se eles soubessem o egoísta que ele é!) O sorriso deles ao ouvirem isso, e ao sentirem que estava tudo bem entre os pais, sempre compensou o lado mais doloroso da separação.
    Quantas vezes sorria para os meus filhos na hora da despedida, quando a minha vontade era a de gritar com o desespero da separação, nas férias, (sabendo-os longe e não os podendo nem espreitar para matar saudades!), e deixava-me ficar a dizer adeus, abrindo o meu maior sorriso para lhes dar a tranquilidade que necessitavam ao irem com o pai (que geralmente só viam de meses a meses!), até desaparecerem no horizonte. Ainda os avistava ao longe e já as lágrimas me rolavam pelo rosto, tal era o meu desespero!
    Mas ver o rostinho deles alegre e tranquilo não tem preço para quem, como eu, os ama tanto!
    Sabem, os meus filhos não pediram para nascer! E não têm que pagar o preço das asneiras que os pais fazem! E, se um dos progenitores (pelo menos) tem capacidade para entender isto, pode fazer toda a diferença na vida dos filhos!
    Não me venham com histórias nem tretas, porque para haver guerra é necessário fazer-se a dois! Dir-me-ão que o “outro” é o culpado de tudo… Eu até vou acreditar que seja. Mas se, quem tiver mais capacidade de amar (o filho), ao sentir-se provocado engolir em seco, em vez de pegar no filho e o arremessar contra o outro progenitor, acredite, isso fará toda a diferença na vida do seu filho! E muito importante: NUNCA cobre esses seus sacrifícios aos seus filhos. Com o tempo as crianças crescem, fazem-se homens e mulheres adultos e naturalmente verão quem se sacrificou por eles ao longo da vida… e sobretudo aprendem a lidar com calma as situações difíceis e serão adultos mais calmos e mais tranquilos! Haveria muito mais a dizer, sobretudo quanto à resolução dos problemas provenientes da guarda conjunta, e quanto à nova lei, sobretudo no que concerne à pena que deveria ser aplicada aos responsáveis pelo incumprimento dos acordos, então aí sim,… haveria muito, muito mesmo para ser dito! Xysa
    Xysa | 27.02.2011 | 18.52Hver comentário denunciado
  • Belinha, você claramente pertence à geração parva.
    re | 25.02.2011 | 00.53Hver comentário denunciado
  • EU, concordo plenamente contigo...
    boa memória | 22.02.2011 | 00.11Hver comentário denunciado
  • Os pais são o elo mais fraco? Os que se "piram" e fogem da rotina, dos trabalhos escolares, das doenças dos putos? Os caramelos que deixam a casa de família por pagar e exigem às ex o dinheiro como se tivessem vendido a casa a terceiros? Os paizinhos, protegidos por famílias que acham que nenhuma era boa para o seu menino, mesmo que tenham sido sustentados pela horrivel ex ? Onde é que os pais são o elo mais fraco? Por só se preocuparem com as criancinhas aos fins-de-semana?
    Muito até deixam de pagar a pensão e mesmo que ganhem bem, reduzem-na ao mínimo legal, não vá a ex gastar no cabeleireiro! Se há elo mais fraco no divórcio, é a mulher: nunca sabe quando fica sozinha com todos os filhos, estudos, casa, doenças às costas e as contas para pagar sem apoio de ninguém! O paizinho, esse, sai do trabalho para o ginásio, pois claro!
    Eu | 21.02.2011 | 15.00Hver comentário denunciado
  • Cara Isabel . . . !
    É tudo muito bonito . . . !
    Nas actas de conferência . . . !
    Nos acordos . . . !
    Enfim . . . !
    No papel . . . !
    Mas, como é sabido . . . !
    Muitas vezes o problema . . . !
    Não é só do casal . . . !
    As famílias do casal . . . !
    Também ajudam à festa . . . !
    alexandre barreira | 21.02.2011 | 07.10Hver comentário denunciado
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