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OPINIÃO

Fantasia lusitana

10 | 03 | 2011   21.43H
José Luís Seixas

Fantasia lusitana é o título de um documentário de João Canijo que mostra Portugal nos anos 40. Em Lisboa, que acolhia refugiados de todo o mundo, vivia-se uma fantasia de paz e felicidade em contracorrente com as capitais da Europa atingidas pela invasão nazi. Incrédulos, os jornalistas estrangeiros perguntavam-se quando é que este povo, orgulhoso e contente de si próprio, acordaria do sonho de felicidade após o primeiro bombardeamento.

O bombardeamento nunca existiu e o povo não acordou. Continuou sonâmbulo, por mais de três décadas, a curtir uma alegria melancólica. No 25 de Abril, cansado de dormir, despertou para a realidade. Mas fê-lo em contracorrente. Habituado a sonhar, virou-se para as utopias distantes e viveu a última das revoluções românticas.

Mais uma vez o mundo se virou para este estranho país, augurando a desgraça. Moscovo aceitava o desastre da guerra civil em troca da influência sobre Angola. Washington defendia a tese da terra queimada para servir de vacina à Europa. Mas nada disto aconteceu: o País restabeleceu-se e influenciou o fim de todas as ditaduras europeias.

Estamos de novo no centro de uma guerra onde as transacções financeiras substituíram as armas. Os profetas da desgraça cercam-nos por todo o lado e instalam-se entre nós. Mais uma vez, porém, quem prevê um bombardeamento iminente engana-se dia após dia. Talvez o sonho nos tenha ajudado a resistir. O problema é saber quando acabará o conflito.

© Destak

9 comentários

  • Giro seria se estas crónicas já nem fossem escritas por nenhum deles, mas encomendadas, para depois aparecerem nos jornais sob o nome deles. Desta vez o a-recibos-verdes devia estar charrado e colocou a mesma crónica nos dois. Sem dúvida que a Lusitânia se tornou uma mera fantasia.
    BEM-CHARRADO | 14.03.2011 | 23.20Hdenunciar comentário
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  • Uma crónica feita por Dr. Jeckill e Mr. Hide, com a qual tenho que concordar: este país é resiliente. Ainda vamos passar por isto.
    al | 14.03.2011 | 17.45Hdenunciar comentário
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  • Esta crónica de opinião foi elaborada pelo Pio Abreu em parceria com o José Luís Seixas e vice-versa. Parabéns à cooperação que têm mantido os dois autores, e para a semana esrevam uma ode ao FMI e ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira que virá muito a propósito.
    JM | 14.03.2011 | 14.39Hdenunciar comentário
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  • DAAAAHHH, muito bem observado!!! Sem a sua ajuda eu não teria dado conta!!!
    Mas há sempre a esperança, não é?
    Um sorriso para si também!
    E a propósito o que acha de um horário semanal com 5 horas diárias? Será que se resolvia o problema do desemprego? Será que o tempo livre estimularia a indústria e os serviços dos tempos livres? Será que aumentava a competitividade? Será que as pessoas eram mais felizes? E a economia da felicidade sabe como funciona? com os gastos de saúde, gastos partilhados e diminuídos na família em vez dos gastos somados nos "casais" divorciados? E o tempo para a promoção individual através da formação ou de realização de exercício físico que poupava nos 30% dos gastos da saúde que são relativos à diabetes, e também nos punha mais bonecos, não era?
    Peço desculpa se o meu texto anterior abusou da sua boa fé. Mas, sem lha querer aplicar ou ofender, sempre lhe vou lembrando aquela história da lua, do apontar para a lua e do imbecil que fica a olhar para o dedo.
    Manuel Martins | 13.03.2011 | 21.25Hdenunciar comentário
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  • Daaaahhhhh? MANUEL MARTINS! Terá sido esta crónica foi escrita pelo José Luis Seixas?
    Daaaahhh! | 13.03.2011 | 13.06Hdenunciar comentário
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  • Não será . . . !
    MALGUINHA LUSITANA . . . ? !
    alexandre barreira | 12.03.2011 | 19.01Hdenunciar comentário
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  • Pela primeira vez JLS escreve uma crónica positiva, respeitando um povo que tem oficialmente cerca de 900 anos e informalmente muito mais anos. Afinal o milagre é possível! Um qualquer mentecapto, limitado aos seus interesses e umbigo, pode do dia para a noite transformar-se num indivíduo culto, altruista e inscrever-se no clube dos portugueses de bem. Clube dos que hoje estão, com a sua grandeza, a transformar uma luta de uma juventude egoísta num manifesto de compreensão inter-geracional que tem uma mensagem simples: - as receitas antigas não servem. Muita gente diz mal de Sócrates que na defesa de Portugal e dos portugueses foi traído por Merkel. Não porque Merkel quisesse mas porque também foi traída pelos seus bancos, "mercados financeiros" e "agências de notação". Penso que as soluções passam por leis mais justas para "patrões" empreendedores que não têm de ser pais de ninguém que é falso e está sempre pronto para os trair e prejudicar (inveja dos que não foram capazes e não querem reconhecer o mérito de outros); E leis mais justas para os que trabalham por conta de outrem que não podem ser escvravizados e têm de receber em função do que produzem sem serem privados dos rendimentos do seu esforço para engordarem fortunas de gente que se julga com mais direitos do que os outros porque o seu "talento" (quantas vezes trafulhice) produz mais dinheiro do que os talentos dos outros.
    Horários de trabalho de 8 horas (5h dia chega) são anacrónicos e escravizantes. Uma melhor divisão do trabalho disponível pelo totalidade da população resolve muitos dos problemas existentes. Acabar com a estupidez dos regulamentos que dão acesso ao ensino superior público que limita o número de vagas em cursos com muitas necessidades como a medicina e apoia cursos com muitas vagas como "Relações Internacionais". Onde pelos vistos o que de mais relevante se aprende é exigir e utilizar o facebook.
    Manuel Martins | 12.03.2011 | 16.12Hdenunciar comentário
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  • Afinal o texto "Fantasia Lusitana" tem dois autores: Pio Abreu e José Luís Seixas. Interessante coincidência, transmissão de pensamentos entre autores, que os leva a escrever exactamente o mesmo texto? Fabuloso. Parabéns!!!
    PARANORMAL | 11.03.2011 | 20.23Hdenunciar comentário
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  • Doutor, acha que com o 25 de Abril o povo acordou para a realidade? Eu acho que não. Mais uma vez, alimentou o sonho e a fantasia. O único mérito da nossa revolução foi, como diz, a influência que teve sobre muitas outras revoluções que, na sua maioria, passaram a ser pacíficas. Se só por isso valeu a pena, congratulemo-nos. Mas o que ganhámos mais. Quando a mim só perdemos, sobretudo o império e a nossa própria independência, face às instituições europeias e mundiais. Pior que isso, 60% dos portugueses manifestam o desejo da nossa integração na Espanha. Paradoxalmente, 40% dos espanhóis não nos querem lá. Como o mundo muda...! Pelos vistos, caminhamos a passos largos para sermos "os indesejados". Triste sina a nossa!
    FIFI | 11.03.2011 | 08.04Hver comentário denunciado
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