As notícias do país que nós somos
Perante a nossa estupefacção e horror a cada nova imagem que a tv nos apresenta do terramoto/tsunami no Japão, um medo cego cresce dentro de qualquer ser humano, e no que diz respeito a nós, portugueses, temos razão para que esse medo seja ainda maior. E o que fazem os noticiários de todas as estações? Convidam técnicos para explicarem o sucedido.
O problema é que todos colocam a questão: e se fosse em Portugal? É exactamente isto que necessitamos neste momento. Ou melhor, é isto o melhor exemplo do que são as notícias em Portugal. Quanto mais desgraça melhor, quanto mais a notícia for má, mais audiências. É óbvio que qualquer português se preocupa com a eventualidade de um novo terramoto, mas se nada podemos fazer, de que vale falar do assunto até à exaustão? Não há espaço para boas notícias, para os muitos exemplos de coragem, voluntariado e tantos casos de gente que dá o exemplo de como sobreviver.
Uma coisa é o papel fundamental que devem exercer enquanto informadores da realidade que o poder nos quer esconder, outra é sistematicamente arrastarem-nos para o poço sem fundo da desgraça. Há muitos exemplos na sociedade portuguesa de gente corajosa e vencedora. Mas o êxito não se mede pela riqueza, beleza ou ‘o ser famoso’, mas sim pela ultrapassagem das contingências. Não terá chegado o momento de os Órgãos de Comunicação Social repensarem o seu papel?







9 comentários
Em relação às más notícias divulgadas pelos "mass media", são essas que nos atraem e fascinam. As boas notícias passam-nos ao lado, tão só porque, como diria o filósofo prof. Agostinho da Silva, o homem nasceu para ser feliz. Logo o ser feliz faz parte de nós e é o nosso objectivo de vida. Portanto, notícia será, apenas, tudo o que de tal se desvia. E quanto mais dramática for a notícia, tanto melhor !
Não se rale tanto . . . !
E, como sabe . . . !
THE SHOW MUST GO ON . . . !
Para mal dos . . . !
Nossos pecados . . . !